Médio Oriente

Abbas. "Um ano é muito tempo" para conseguir chegar à paz com Israel

por Mariana de Araújo Barbosa, Publicado em 02 de Setembro de 2010   
Israel e Palestina arrancam hoje negociações de paz. Chefe palestiniano garante que o tempo é de "decisões"
Opções
a- / a+
Eram 14h46 quando o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu chegou à Casa Branca, onde foi recebido por Barack Obama, na primeira de quatro reuniões privadas entre o presidente norte-americano e os responsáveis pela administração do Médio Oriente: depois de Netanyahu, Obama reuniu-se com o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmud Abbas, com o rei Abdullah da Jordânia e com o presidente egípcio Hosni Mubarak. Os encontros assinalaram a véspera da retoma oficial das conversações de paz entre Israel e Palestina.

À mesma hora que Netanyahu e Obama estavam reunidos, Mahmoud Abbas falava a um jornal palestiniano sobre a urgência da paz. "Um ano é muito tempo", disse Abbas ao "Al-Ayyam", editado em Ramallah, na Cisjordânia, sublinhando que o processo de paz deverá ficar concluído dentro dos próximos 12 meses. Depois das reuniões, os quatro líderes jantaram com Obama: entre os convidados estava Tony Blair, a representar o Quarteto para o Médio Oriente (Estados Unidos, Rússia, ONU e União Europeia).

trilateral Reatar relações não é fácil. Que o diga Israel que, na véspera da reunião com Hillary Clinton - que decorre hoje - está de luto, depois da morte de quatro civis, na sequência de um tiroteio na Cisjordânia na passada terça-feira, na colónia judaica de Beit Hagay, perto de Hebrón. Em declarações à CNN, o coordenador das negociações da delegação palestiniana Saeb Erakat, esclareceu que "agora não é tempo de negociar, mas de tomar decisões".

Ontem, o primeiro-ministro israelita prometeu castigar os que fizeram correr "sangue de civis israelitas", na sequência do assassinato. "Fomos testemunhas da morte selvagem de quatro israelitas inocentes, e o sangue derramado não ficará impune", sublinhou, acrescentando: "Não permitiremos que o terror desça onde vivem os israelitas ou à configuração das nossas fronteiras finais. Esse e outros assunto vão decidir-se nas negociações de paz que vamos levar a cabo, e vou deixar claras as medidas de segurança que são necessárias para combater este tipo de terror".

Israel anunciou ontem que vai retomar a construção de colónias na Cisjordânia, ao mesmo tempo que vai facilitar o licenciamento de armas aos colonos, de maneira poderem defender-se de possíveis ataques como os do início da semana.

"O sentimento [em Israel] não é optimista porque existe um fosso em três assuntos: refugiados, fronteiras e estatuto de Jerusalém" disse ao i Nuno Wahnon Martins, em Israel, "European Affairs Officer" do grupo "European Friends of Israel". O atentado foi criticado pelos governos de Israel e da Palestina, e condenado também por Hillary Clinton. "Este tipo de violência brutal não tem justificação em nenhum país, debaixo de qualquer circunstância", garantiu a secretária de Estado norte-americana.

Os radicais palestinianos garantem que o atentado não é uma ameaça isolada, tendo a autoria do tiroteio sido atribuída ao Hamas, que já ameaçou "mais operações". Em resposta aos avisos, as forças de segurança da ANP já começaram a investigar em conjunto com a polícia israelita. Ontem, as autoridades dos dois países detiveram 300 pessoas que mantêm ligações ao Hamas. Com Gonçalo Venâncio


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close