A Renamo condenou hoje a utilização de balas reais contra os manifestantes em Maputo e exigiu a demissão do ministro do Interior pelo Presidente da República.
“A primeira reação é de condenar a atitude da polícia da República de Moçambique, que respondeu às manifestações com balas verdadeiras e que provocaram mortes. Na Constituição da República não está prevista a pena de morte, se um cidadão cometeu alguma infração o normal é ser julgado e condenado, mas não à pena de morte”, referiu em declarações por telefone à Lusa Fernando Mazanga, porta voz da principal força da oposição moçambicana.
“Ao usar balas reais em lugar de gás lacrimogéneo ou balas de borracha, ou outras medidas não fatais, esteve a incorrer na aplicação da pena de morte, que não está prevista na Constituição da República”, sublinhou o mesmo responsável.
Pelo menos seis pessoas morreram e mais de oitenta ficaram feridas, 14 das quais em estado grave, nos confrontos entre a polícia e populares, que iniciaram hoje de manhã um protesto contra os aumentos dos preços dos bens essenciais.
Os protestos começaram nos arredores de Maputo, mas estenderam-se ao centro da cidade. Ao início da tarde, a situação já estava mais calma na capital moçambicana.
Na perspetiva da Renamo, os acontecimentos desta manhã justificavam uma intervenção imediata do chefe de Estado “e aparecer em público para tranquilizar os moçambicanos e anunciar medidas concretas para estancar o aumento do custo de vida”, comentou Mazanga.
“Isto está insuportável, e chegou a um ponto em que o chefe de Estado tem de dizer aos moçambicanos até que ponto vai cumprir”, enfatizou.
Para Fernando Mazanga, “e na sua primeira aparição”, o Presidente Armando Guebuza “deveria imediatamente demitir o ministro do Interior, que mostrou incapacidade de controlar as suas forças, aquilo que se chama o princípio da lei e da ordem, porque, ao assassinar estes manifestantes, violou a Constituição da República”.
A Renamo, através do seu porta voz, também considerou que esta convulsão social “já era previsível”, devido ao “descontrolo total” na subida do custo de vida.
“Cada dia que passa há um agravamento da nossa situação, os moçambicanos estão a tornar-se cada vez mais pobres, há um grupo ligado à oligarquia no poder que continua a deter todos os meios de produção, toda uma série de espaços físicos privilegiados, inclusive para a fixação de residência”, denunciou.
Fernando Mazanga definiu ainda como “um paradoxo” o anúncio sobre o aumento do preço da energia, quando a barragem de Cahora Bassa “já pertence” ao Estado moçambicano.
“Quando Cahora Bassa não era nossa a energia era mais barata do que agora. E as populações não entendem até que ponto se reflete no seu prato a devolução de Cahora Bassa, o que mudou antes e depois de Cahora Bassa ser nossa…”, argumentou ainda o porta-voz da Renamo.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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