Queiroz. Afinal, ainda havia mais um alvo para atacar: "A justiça governamental"

por Bruno Roseiro, Publicado em 01 de Setembro de 2010   
Seleccionador esclarece novela pós-Mundial, nega hipótese de sair e diz que "a honra e a reputação é que estão em causa"
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Carlos Queiroz até repetiu ideias com tanta vontade de esclarecer a polémica em torno da alegada perturbação a um controlo antidoping mas não deixou dúvidas: "Tenho todas as condições para ser seleccionador nacional. E até fui eu que pedi que fosse feito esse controlo..."

Em entrevista à SIC, o técnico assumiu o uso de uma expressão imprópria - "que Alex Ferguson também teria utilizado, como o próprio admitiu" - mas explicou que "foi apenas a expressão da frustração e impotência perante o que se estava a passar". "O facto de acordarem os jogadores para fazerem o controlo interferiu na preparação da equipa. Nunca vi uma coisa assim em 30 anos de carreira. Nem o Figo, como ele assumiu." "Mas não interferi, não destruí nem perturbei os médicos em nada. Essa acusação pode manchar a minha vida profissional", acrescentou numa síntese da argumentação que irá enviar ao TAS para suspender a pena.

Referindo que não tem nada contra o vice-presidente Amândio de Carvalho, o seleccionador apontou ainda o dedo à justiça governamental, que "coloca até em causa a dignidade do Conselho de Disciplina da FPF". "Só não rescindo por dinheiro? Há coisas bem mais importantes na vida que alguns não percebem: honra, dignidade, reputação ou prestígio", concluiu.

rampa Os eleitos de Carlos Queiroz/Agostinho Oliveira/nenhum deles/ambos concentraram-se ontem no hotel da Falperra, em Braga. Miguel Veloso, que terá uma boa oportunidade de assegurar um posto no onze à frente da defesa, foi o primeiro jogador a chegar, seguido de Eduardo. Mas quem abriu hostilidades acabou por ser Gilberto Madaíl, o presidente da Federação que viajou ao norte para "mostrar a confiança no grupo". "Lamento tudo o que se tem passado e relembro que, ainda antes disso, a direcção da FPF teve uma reunião para analisar a prestação da equipa no Mundial, onde foram alcançados os objectivos mínimos: a qualificação para a fase final e o apuramento para os oitavos-de-final", disse o líder. E o futuro? Em termos desportivos está assegurado porque, de acordo com o dirigente, "uma selecção com tanta tarimba já sabe jogar em piloto-automático"; no que toca ao treinador, só sobra uma certeza: "Vamos resolver todas as questões segundo os regulamentos da nossa Federação e das próprias leis." Faltou apenas esclarecer uma situação: António Simões, director das observações, ainda faz parte da estrutura federativa? Aparentemente não e até acabou por receber guia de marcha por uma carta registada...

estreias Depois de Nuno André Coelho e Sílvio, há mais um felizardo que pode fazer a estreia como internacional A: Yannick. O avançado do Sporting - que marcou dois golos nos últimos dois encontros oficiais - substitui o lesionado Silvestre Varela e volta a ser chamado à selecção (da primeira vez nem sequer jogou). Mas no primeiro treino, realizado em Braga, o destaque foi mesmo... Quaresma.


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