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O camarada iPhone

por José de Pina, Publicado em 01 de Setembro de 2010   
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Chego de férias e deparo- -me com dois lançamentos dignos da silly season: o do novo iPhone e o do candidato do PCP a Belém. O primeiro é o chamado lançamento sem rede; o segundo é um lançamento sem tino, apesar de Francisco Lopes fazer lembrar o Tino de Rans. O iPhone 4 é um telemóvel inovador: é marxista. Com ele, acabam-se as diferenças de classe entre operadoras, todas passam a ter igual cobertura de rede. Quanto a Francisco Lopes, ninguém vai conseguir captá-lo na próxima Festa do Avante, nem um tracinho. Não vai falar, nem ser apresentado. Mas eu percebo, para apresentar um produto mais que visto como grande novidade, só o querido líder da Apple. Steve Jobs é homem para apresentar o futuro iPhone 5 como o primeiro telemóvel do mundo que capta rede e convencer os seus fiéis. Tal como Álvaro Cunhal, quando dizia que a URSS era uma democracia avançada. Ainda há quem acredite nisso, ou que o caso Casa Pia um dia vai mesmo acabar. Mas o PCP já não tem o seu Steve Jobs e, por isso, as cassetes já não funcionam tão bem. F. Lopes é disto a prova ao dizer: "O projecto do PCP diferencia-se do da Coreia do Norte, embora respeitemos as opções de cada povo." Se Bernardino tinha dúvidas sobre se a Coreia do Norte não seria uma democracia, já F. Lopes tem a certeza de que o é. Lá, o povo opta! Mas se então o PCP se diferencia da Coreia do Norte, é porque o projecto dos comunistas não é a democracia. Se o iPhone 4 capta mal, o camarada Lopes emite mal. Nota sem importância: Obviamente, ninguém me ofereceu um iPhone.


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