O público de Bragança vai poder assistir gratuitamente a oito filmes sobre Trás-os-Montes na presença de alguns dos realizadores num espaço que convida à descoberta da identidade transmontana, o Museu Regional Abade de Baçal
“É uma oportunidade única”, garantiu, em declarações à Lusa, Ana Maria Afonso, diretora do mais emblemático museu de Bragança onde serão exibidos, no edifício e nos jardins, oito filmes, entre quarta e sábado.
A Cinemateca Portuguesa disponibilizou as películas para as duas sessões diárias, uma no final da tarde e outra à noite, e três realizadores confirmaram já a sua presença, entre eles o mestre do cinema português.
Manoel de Oliveira assiste, no segundo dia, quinta feira, à exibição do “Ato de Primavera”, no mesmo dia em que passa, à tarde, “Matar Saudades” de Fernando Lopes.
Noémia Delgado vai abrir, quarta feira, o ciclo de cinema com o filme “Máscaras”, no mesmo dia em que passa “Sabores” de Regina Guimarães e Saguenail, também convidados.
No terceiro dia, Pedro Sena Nunes marcará presença com o filme “Margens”, a anteceder as “Veredas” de João César Monteiro.
A fechar o ciclo de cinema, sábado, são exibidos “Terra Fria”, de António Campos, e “Ana”, de António Reis e Margarida Cordeiro.
Segundo disse à Lusa a diretora do Museu Abade de Baçal, a única dúvida relativamente aos realizadores convidados diz respeito precisamente a Margarida Cordeiro.
A organização ainda não sabe se a autora estará presente ou se vai fazer-se representar pela filha.
A produção e programação deste ciclo de cinema são de António Preto que já tinha realizado um evento idêntico em Vimioso, a que assistiu a diretora do Museu Abade de Baçal.
Ana Maria Afonso entendeu que seria uma “actividade interessante” para o espaço que dirige.
“Abrir o museu à comunidade e introduzir novas linguagens” é o propósito desta oferta, em que o público é também desafiado a refletir sobre a identidade transmontana retratada nestes dois patrimónios, o cinematográfico e o museológico.
A diretora acredita que será também “uma oportunidade para perspetivar “o futuro que queremos para Trás-os-Montes, inserida num contexto privilegiado: as memórias que temos no espólio de toda a região”.
Muito desse espólio foi recolhido e legado pelo Abade de Baçal, um “recoletor” da história da região, traduzida na herança arqueológica que foi juntando ao longo da vida e nas memórias que escreveu, reunidas mais tarde em doze volumes.
Em homenagem a este trabalho, o museu, fundado em 1915, recebeu 20 anos depois o nome e o legado do abade, a que se juntam peças eclesiásticas, coleções de numismática e dádivas de Abel Salazar, da família Sá Vargas, assim como legados dos poetas transmontanos Guerra Junqueiro e Trindade Coelho.
O Museu Regional do Abade de Baçal está instalado em plena zona histórica de Bragança e o seu acervo foi aumentado, há nove anos, com uma coleção de máscaras transmontanas, símbolos das tradicionais festas dos rapazes no Natal e Carnaval.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




Rating: 0.0
Actividade em ionline