Várias vítimas da pedofilia na Casa Pia tentaram o suicídio após denunciarem os abusos. A maioria seguiu em frente “com avanços e recuos” e “uma grande descrença em relação à Justiça”, segundo o psiquiatra que as segue.
Álvaro Carvalho, o psiquiatra que seguiu estas vítimas após a denúncia dos abusos, em 2002, disse à Agência Lusa que estas tentativas de suicídio resultaram do “desespero” que os jovens sentiram.
“As suas expectativas foram frustradas, pois pensavam que bastava denunciarem os abusos para tudo se resolver e que tudo ia ser muito rápido”, explicou.
Um dos casos foi especialmente grave, pois o jovem em causa tentou o suicídio duas vezes e com alguma gravidade.
Com “avanços e recuos”, estes jovens tornaram-se entretanto autónomos, a maioria constituiu família e alguns já têm filhos.
Apesar disso, Álvaro Carvalho ainda é contactado com alguma frequência por estes jovens que buscam ajuda, principalmente em alturas mais difíceis, como a presente, tão próxima da leitura da sentença, marcada para o próximo dia 03 de setembro.
O psiquiatra sublinha que se trata de jovens adultos que nasceram “um ambiente de vida muito perturbado e perturbador, mesmo antes dos abusos sexuais”.
“Esses abusos, continuados em contexto que supostamente os protegia, perturbou-os profundamente, marcando-os significativamente em termos emocionais”, disse.
Fora da instituição há dois anos, Álvaro Carvalho continua a prestar apoio a estes jovens, respeitando assim um compromisso que assumiu.
Na altura do escândalo, vários jovens “verbalizaram receios de que deixassem se ser apoiados após prestarem declarações”, contou.
No dia da leitura da sentença, a maior parte das vítimas estará presente no tribunal. Pretendem, assim, testemunhar aquilo por que esperam há anos: Justiça.
A eventual ausência de uma condenação deverá “desencadear situações de raiva e de protesto em relação aos arguidos”, prevê o especialista.




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