Carlos Queiroz já só tem uma porta aberta no futuro: a da saída
por Bruno Roseiro, Publicado em 31 de Agosto de 2010
ADoP agrava suspensão a seleccionador para seis meses. Com ou sem justa causa, a federação vai avançar com rescisão e procura novo técnico
O Mundial da África do Sul transformou--se num quebra-cabeças para muitos - vá, pelo menos para alguns - mas o pós-África do Sul, ou Campeonato do Mundo, é um labirinto para uma única pessoa: Carlos Queiroz. Ontem abriu-se mais um corredor na salada - que não de polvo, porque essa invocação também já desencadeou outro inquérito... - de processos e recursos mas com uma nuance: este labirinto, que até costuma ser associado a símbolos de iniciação, pode tornar-se num final de era na selecção.
Com uma rapidez que deixou os próprios intervenientes admirados (e, de certa perspectiva, desconfiados...), o ADoP decidiu suspender o seleccionador por seis meses, no seguimento de uma alegada perturbação de Queiroz ao controlo antidoping realizado na Covilhã, ainda antes do Mundial. Em termos legais, a pena deveria ter como limite mínimo dois anos mas, tendo em conta uma série de atenuantes, foi reduzida para apenas um quarto do previsto. À tarde, quando foi conhecida a sentença, o treinador ainda não tinha sido informado da mesma, que seguirá igualmente para a Agência Mundial Antidopagem. Ainda assim (apesar de não ter efeitos suspensivos), haverá recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), em Lausanne, na Suíça.
No plano desportivo, Queiroz vai falhar quatro encontros da qualificação para o Europeu - Chipre, Noruega, Dinamarca e Islândia - mas arrisca-se a não estar no banco de suplentes em qualquer jogo: a federação tem razões para rescindir com o seleccionador por justa causa e até já prepara a sucessão, que será interna. Em comunicado, o técnico sublinhou "a ausência de qualquer infracção", além de admitir o recurso. "E requererei que a decisão seja suspensa enquanto o recurso não estiver julgado", acrescenta.
renúncias e baixas Entre lesões e renúncias à selecção, Portugal vai perdendo jogadores: depois de Deco e Simão, Paulo Ferreira, que não tinha sido convocado, renunciou. Mas há mais baixas: Ronaldo pára três semanas devido a uma contusão óssea no tornozelo direito e Varela também se lesionou no último encontro do FC Porto em Vila do Conde. Quaresma, do Besiktas, foi chamado para colmatar as baixas, podendo ainda juntar--se ao grupo o médio Paulo Machado, do Toulouse, que está de prevenção.
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