Bancos centrais podem ter de voltar a intervir na economia

Publicado em 30 de Agosto de 2010   
Banco de Inglaterra pede mais poderes de regulação e diz que a crise não foi evitada por falta de autoridade
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Com os últimos indicadores macroeconómicos a revelarem a fragilidade da retoma mundial, os bancos centrais podem ter de dar mais apoio à economia. O aviso vem do Banco de Inglaterra, que sublinhou ontem que, apesar de ter sido estancada a hemorragia nos mercados, será necessário ainda tomar novas medidas.

Charles Bean, vice-governador do Banco de Inglaterra, explicou ontem que os poderes limitados do banco central do país impediram que a crise fosse prevenida. Para este responsável, a capacidade de fixar a taxa de juro é insuficiente. Bean aproveitou assim para promover a ideia que é necessário estender os poderes do Banco de Inglaterra, como parte de uma nova "política de prevenção macroeconómica".

Entre as novas competências estariam, entre outras, o direito de obrigar os bancos a acumularem reservas extra durante períodos de expansão e de aumentar as penalizações sobre as entidades que concedam empréstimos mais arriscados.

O discurso foi proferido dois dias depois de Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana ter assegurado aos banqueiros centrais presentes no simpósio anual da Fed em Jackson Hole, Wyoming, que a Fed estava comprometida com a recuperação, considerando mesmo a possibilidade de comprar mais activos.

Também o responsável do Banco de Inglaterra insistiu nessa ideia, referindo ainda que poderá ser necessário injectar mais dinheiro na economia. "O processo de alavancagem está incompleto. A retoma continua frágil e há ainda uma considerável margem de capacidade por aproveitar. Por isso, podem ser necessárias mais políticas de apoio para manter a recuperação económica", defendeu Bean.

Apesar de concordar que a compra de acções e obrigações por parte dos bancos centrais tem sido uma estratégia eficaz para facilitar as condições financeiras durante a crise, Bean alerta contudo que esse tipo de ajuda à economia deve ser guardado apenas para "situações de emergência."

Nuno Aguiar


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