Política
Rentrées. CDS e BE com discursos mais radicais à direita e à esquerda
Publicado em 30 de Agosto de 2010
CDS e BE avançam com propostas de combate aos acordos de bloco central
Os extremos tocam-se de vez em quando. CDS e Bloco de Esquerda desenvolveram uma estratégia idêntica para as respectivas rentrées: Francisco Louçã radicalizou o discurso à esquerda, Paulo Portas à direita. Louçã desenterrou a luta de classes, uma expressão habitualmente afastada dos discursos diários dos dirigentes do Bloco de Esquerda e afirmou-se "o único partido que defende a saída da NATO", passando por cima dos pergaminhos do PCP na causa; Portas recuperou o léxico PP "antibandidos" e propôs que o povo referendasse o tempo de permanência dos delinquentes dentro de grades.
Tanto o CDS como o Bloco de Esquerda optaram por anunciar as propostas concretas que vão apresentar em breve no parlamento, afirmando assim a sua "superioridade partidária" sobre as rentrées essencialmente dedicadas ao combate político de Pedro Passos Coelho, no Pontal, e de José Sócrates, em Mangualde. A futura associação entre PS e PSD para viabilizar o Orçamento foi glosada tanto por Portas como Louçã. A declaração de Cavaco Silva de apelo à viabilização do Orçamento serviu para Louçã afirmar que o Presidente da República "não é só o candidato da direita unida, como é o promotor do bloco central".
Presidenciais As presidenciais foram um prato essencial no discurso de Francisco Louçã. Dias depois do anúncio do candidato presidencial do PCP, e sob algum fogo interno pelo apoio a Manuel Alegre, Louçã fez uma defesa fortíssima da opção Alegre, com indirectas ao PCP e ao PS. Numas eleições onde, segundo Louçã, é possível derrotar a recandidatura de um Presidente da República, o Bloco "não se engana de adversário": "Mal vai quem se engana de adversário nesta campanha." E reivindicou para o BE o estatuto de "único partido que se empenha convictamente na derrota de Cavaco Silva nas presidenciais". "Quem quer ganhar uma batalha não se refugia. É preciso ataque e não defesa".
Oposição "Não somos assim-assim". Júlio, Ana e Ricardo estão com bandeiras na mão, na última fila de uma das duas bancadas que circundam a Praça do Peixe, em Aveiro. Mas nenhum é do CDS/PP. Vieram acompanhar militantes. "Não somos seguidores de política. Somos mais ou menos acompanhantes de quem gosta mesmo de política", explicam. Uma plateia heterogénea com cerca de mil pessoas - e com muitos jovens - recebeu no sábado à tarde Paulo Portas, na Praça do Peixe, em Aveiro. Depois dos ritmos do reggae - pelos Gindungo - foi a a voz de Paulo Portas que fez agitar as bandeiras azul-claras, já era noite. No discurso da rentrée do CDS/PP, Portas fez "propostas", porque no regresso das férias, os partidos "esqueceram-se do importante: propostas para Portugal". Entre as novidades, destacou-se a proposta de referendo sobre segurança - "Porque os portugueses têm o direito a escolher a justiça que querem" -, uma bolsa de manuais escolares e uma lei de bases de cuidados paliativos - "Porque não se poupa nos doentes, poupa-se no desperdício", disse Paulo Portas. O líder do CDS/PP reforçou ainda a proposta já falada em matéria de emprego, de dar o valor correspondente ao subsídio de desemprego a empresas que contratem desempregados, reforçando o papel do partido como contrapoder. "Somos oposição, não somos Governo, nem somos assim-assim", sublinhou, numa praça que se esvaziou bem depois da partida de Portas, que não ficou para provar o porco no espeto.
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