FC Porto. A (Incrível) tradição ainda é o que era

por Bruno Roseiro, Publicado em 29 de Agosto de 2010   
Hulk marca cinco em 72 horas e decide jogos nos Arcos, onde portistas só perderam uma vez (Rio Ave 0; Porto 2)
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André Villas-Boas, um dos técnicos com menos jogos na liga (26), parecia adivinhar: “Hulk precisa de viver momentos de alegria após ter passado por uma enorme tristeza.” E foi o Incrível, num dos golos mais esquisitos desde que chegou ao Porto, a abrir caminho à vitória na partida contra o treinador que tem mais encontros no campeonato (347). E com outro, um dos mais fáceis, a fechar. Contas feitas, o brasileiro marcou cinco vezes em... 72 horas. Os anos passam mas a tradição ainda é o que era – Vila do Conde é terreno sagrado dos dragões que, em 17 compromissos, perderam apenas um, em 2003-2004, e com Mourinho, o mestre que deu a mão ao discípulo André, no leme.
O FC Porto tinha um objectivo bem definido – ir para a paragem nas competições com 100% de vitórias – e, para tal, utilizou a mesma receita das primeiras partidas. Que é como quem diz, a mesma equipa, em 4x3x3. Da mesma forma como o Rio Ave se apresentou. Intenções positivas de ambos os pólos que deram ao jogo sinal negativo: imperava o equilíbrio, o futebol sem balizas, a escassez de oportunidades. As bancadas até estavam animadas – se calhar pelas tréguas que o São Pedro deu na zona norte do país – mas, em campo, essa alegria diluía-se nas amarras tácticas de dois meios-campos encaixados e sem rasgo. Até que, quase do nada, nasce o golo de Hulk. E, num segundo, como num instante que muda tudo, André Villas-Boas deixou de estar zangado e sorriu. Entende-se...
Alvaro Pereira foi (outra vez) à frente, cruzou mas Falcao não chegou. Hulk, o extremo no flanco oposto, não apareceu ao segundo poste como mandam as regras. E foi isso que fez a diferença – o brasileiro teve tempo para controlar, ajeitar com o pé esquerdo e fazer um centro-remate que acabou na baliza de Felgueiras (Falcao ainda chocou com o guarda-redes mas na sequência do lance, ou seja, lance limpo).
Menos sorte teve, poucos minutos depois, Saulo: procurava João Tomás – o antigo Jardel de Coimbra que, aos 35 anos, diz que lhe custa acabar já a carreira´, pela escassez de homens de área em Portugal –, dirigiu a bola para a baliza mas Helton, num momento de forma fantástico, fez uma defesa vistosa. O FC Porto tentava aumentar a vantagem de bola parada (e Belluschi não falhou por muito) mas arriscou o empate, quando Jorge Sousa, um dos melhores juízes, deixou passar dois penáltis de Alvaro Pereira... na mesma jogada.
A segunda parte começou com as mesmas características: dragões a dominar, tendo mais bola mas sem criarem grandes oportunidades de golo. Até que, aos 65 minutos, surgiu o momento--chave do encontro: uma jogada fantástica que começou em Fucile, passou por Moutinho – top nas camisolas portistas vendidas este ano – e Falcao, e chegou a Varela, que assistiu Hulk para o bis do Incrível. Tudo fácil mas bonito à vista. O jogo estava decidido e os vila-condenses nem o golo de honra (que seria o primeiro no campeonato) conseguiram por demérito de Yazalde e azar de Saulo ou Milhazes.


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