Associação Criadores de Raça Bovina Mirandesa quer entrar nos circuitos externos do comércio de carnes, quando o mercado francês absorve já cinco por cento da carne bovino mirandês.
Em declarações à agência Lusa, o secretário técnico da raça bovina mirandesa, Fernando Sousa, avançou que, a qualidade da carne bovino mirandês começa a ser reconhecida fora de Portugal, havendo exportações para França. Há igualmente o interesse de produtores angolanos de importar animais de raça mirandesa
“O mercado francês absorve cerca de 5 por cento da nossa produção. Exportamos essencialmente carne de bovino em carcaça e enchidos feitos de peças menos nobres de carne mirandesa, os quais são bastante apreciados” afiançou Fernando Sousa.
A constatação foi feita no decurso do Concurso Nacional de Gado Bovino Mirandês que hoje terminou, em Vimioso. No certame estiveram a concurso cerca de duas centenas de animais oriundos de oitenta expirações pecuárias do “Solar da Mirandesa”, que engloba seis concelho do nordeste trasmontano (Bragança, Miranda do Douro, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros, Vimioso e Vinhais).
“A carne de bovino de raça mirandesa foi o produto agrícola que mais se valorizou na região trasmontana nos últimos 20 anos, não havendo dificuldades na sua comercialização devido à sua qualidade”, garantiu o técnico pecuário.
Fernando Sousa, adiantou ainda que, nos últimos 20 anos, o preço pago ao produtor passou de 3,50 euros para os atuais 5.25 euros por quilo.
A produção de carne de bovino mirandês rende à Cooperativa Agrícola Mirandesa, entidade responsável pela comercialização do produto, cerca de 2,5 milhões de euros/ano.
”Somos líderes há três anos consecutivos, pretendemos alargar a área de produção e como consequência aumentar a oferta para o dobro da atual”, disse Fernando Sousa.
De momento os apoios à raça, ameaçada de extinção, rondam os 110 euros por cabeça através de fundos provenientes da União Europeia inscritos nas medidas de proteção agroambientais.
Com vista a aumentar a produção e a variedade de produtos a introduzir no mercado, está em fase adiantada de construção uma unidade transformadora instalada na zona industrial de Vimioso, orçada em cerca de 4,5 milhões de euros com apoios do PRODER que rondam os 38 por cento do valor global de investimento.
Perante este cenário, os produtores pecuários mostram-se mais otimistas em relação ao futuro da raça, mas garantem que “é preciso fazer mais”.
“Não é pelos apoios que nós criamos os animais, é preciso ter gosto pelos animais e pela raça em particular. Com os apoios recebidos é praticamente impossível manter as explorações”, afiançou Luís Reis, um jovem agricultor presente no concurso de gado.
O efetivo tem cerca de 1600 animais espalhados por todo o território nacional desde o Minho ao Algarve. Na região trasmontana, o efetivo da raça bovina mirandesa ronda os 4600 animais, sendo considerada uma raça autóctone com Dominação de Origem Protegida (DOP).
*** Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




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