Carlos Cruz "Há nomes no processo, que não são do PS, que nunca foram investigados"
por Inês Cardoso , Publicado em 28 de Agosto de 2010
Que nomes? O apresentador responde por meias palavras: é preciso recuar até 2002 e analisar os jogos políticos da altura
Depois de sete anos e meio de acusações, aproxima-se o dia do acórdão. Carlos Cruz assegura que uma eventual condenação no processo Casa Pia não o incomoda do ponto de vista moral, mas promete ir até ao fim do mundo na divulgação do que considera ser a verdade. Diz ter servido para distrair as atenções em relação a pessoas poderosas que foram clientes ou responsáveis por abusos de alunos da Casa Pia. O senhor televisão mantém inalterada a capacidade de comunicar, argumentar e mostrar em doses controladas o furacão que lhe desarrumou a vida. Sem deixar beliscar o que resta do espaço privado da família.
A leitura do acórdão está marcada para a próxima sexta-feira. Acredita que é desta que vai ouvir a decisão do tribunal?
Não faço a mínima ideia. Gostaria que fosse o mais rapidamente possível, se não for no dia 3 que seja quando o tribunal achar que é oportuno e que tem condições para produzir uma sentença justa. No fundo é o que disse o meu advogado, o Ricardo Sá Fernandes, se estes adiamentos forem para uma melhor justiça, ainda bem que são feitos. Agora se forem para cozinhar uma injustiça, então estamos perante um processo mais maquiavélico do que eu pensava que é.
Já disse várias vezes que houve uma armadilha e que foi usado para dar credibilidade ao processo. Mas porquê o Carlos Cruz?
Essa é a pergunta que toda a gente faz, quer pessoalmente quer através do site. Obviamente a resposta que tenho tem sempre uma base de especulação. Eu próprio, se me dissessem ''tu vais ser envolvido'', diria porquê eu. Este processo começa com a prisão do Carlos Silvino. Essa prisão assustou muita gente.
Assustou muita gente em que quadrantes? Classe política?
Não divido isso nesse tipo de quadrantes. Pessoas proeminentes da sociedade portuguesa, em vários quadrantes, que seriam, serão, terão sido clientes, abusadores de alunos da Casa Pia.
Não duvida que houve abusos?
Não tenho a menor dúvida que houve abusos dentro e fora da Casa Pia e além de abusos relações homossexuais. Quando se fala em abusos, dá ideia que se tem uma acção contra a vontade da pessoa abusada. Abuso é sob o ponto de vista legal, mas do ponto de vista intelectual há que distinguir entre o abuso e a compra de um serviço que é oferecido. Isto não iliba a componente criminal do cliente, mas o certo é que há uma oferta de uma relação homossexual. Chama-se a isso, falando claramente, prostituição. Não tenho dúvidas que houve abusos dentro da Casa Pia, abusos fora da Casa Pia e prostituição de alunos.
Não tem dúvidas agora, ou alguma vez tinha conhecido ou ouvido comentários, antes do caso surgir?
Era uma coisa de que nunca tinha ouvido falar, a não ser num artigo de 82, do Luís Marques, do Tal&Qual.
No ano do relatório em que o seu nome é referido por um aluno?
Acho que o artigo é independente em relação ao relatório.
Mas é uma pessoa com muitos conhecimentos, nunca na sua vida social ouviu nada sobre a Casa Pia?
É um tema que não fazia parte das minhas conversas. A vida sexual das pessoas nunca me interessou. Nas minhas conversas sociais falava do meu trabalho, falava de televisão, de cultura, de literatura, de cinema... De relações sexuais das pessoas, quer a nível normal quer a nível desviante, foi um tema que nunca me interessou e nos sítios que frequentava não era abordado. Estava-me rigorosamente nas tintas e quando surgiu a história do Joel, não me dizia nada e não fiquei minimamente preocupado, nem interessado tão pouco.
Mesmo tendo sido ouvido em 1982, o assunto não lhe interessou?
Não, porque eu não tinha nada a ver com aquele episódio, como ficou demonstrado. Fui ouvido uma vez, em 1984, para me perguntarem se conhecia um senhor diplomata e se ia a casa dele, eu disse que não conhecia e acabou aí. De resto, a procuradora que tomou conta do processo foi muito clara a dizer que só havia um arguido. Eu nunca fui arguido e nunca mais fui ouvido. É um episódio que está completamente esclarecido. Portanto nunca me interessei, a não ser como cidadão. Até que começa a aparecer o meu nome, introduzido neste processo através da dra. Teresa Costa Macedo, que citou o meu nome nos bastidores da SIC. Ela foi muito acusada e acossada por ex-casapianos, nomeadamente o dr. Pedro Namora e o dr. Adelino Granja na altura, porque seria a responsável por não ter feito nada em relação às queixas em 1982, tal como o general Ramalho Eanes. A minha convicção, e neste momento ainda é convicção, embora os elementos que vou recolhendo vão encaixando na mesma convicção...
Elementos que recolhe como?
Informações que me vão chegando, pessoas que através do meu site me vão dando informações e todas elas me levam de forma lógica a apontar para uma situação que se vai enformando cada vez mais. Era preciso disfarçar os abusos da Casa Pia, desviando a atenção, e tal como acontece neste género de casos em todo o mundo, era preciso arranjar alguém mediaticamente forte.
Mas interessava a quem?
À investigação.
À própria investigação ou a quem tinha poder para a influenciar?
A quem construiu este caso, a partir do medo que sentiu com a prisão do Carlos Silvino. É esse medo que provoca uma reacção: "Como é que vamos sair daqui? Vamos desviar as atenções, arranjar culpados." Tal como disse o próprio procurador João Aibéo, eu terei cometido suicídio quando apareci na televisão a falar do caso de 1982. Eu era a cereja no topo do bolo, a pessoa que ia dar credibilidade ao processo, desviando as atenções dos verdadeiros abusadores e dos autênticos clientes dos alunos da Casa Pia.
Os verdadeiros abusadores seriam pessoas com capacidade para influenciar a investigação?
Não tenho a menor dúvida. São pessoas com poderes nas estruturas do país. A partir daí eu terei sido simultaneamente um balão de ensaio para, credibilizando a investigação, justificar o que viesse atrás. Aí entra a componente política deste processo que, não tenho a menor dúvida, foi propositadamente dirigida às estruturas superiores do partido socialista.
O PS foi uma vítima?
Não tenho a menor dúvida. Há outros nomes referidos no processo, que não são do PS, que nunca foram ouvidos nem nunca foram investigados. Isso vai aparecer muito brevemente no meu site, esses nomes vão aparecer.
Depois do acórdão?
Só depois do acórdão. Há inclusivamente denúncias feitas pela dra. Teresa Costa Macedo, de nomes que estão aí, que são pessoas importantes na nossa sociedade. Nunca foram ouvidas, nunca foram investigadas.
Pessoas ligadas ao PSD?
Pessoas não ligadas ao PS e ligadas a outros partidos. Se recuarmos até 2002 e analisarmos a situação política na altura, há que ver as ligações entre as pessoas proeminentes desta situação, desde a dra. Teresa Costa Macedo, ao dr. Bagão Félix, ao primeiro-ministro da altura... Ver que ligações e que tipo de actuação política estava em jogo, e que tipo de negociação - política e não só. E por que é que o artigo da revista "Le Point", que acusa dois ministros da altura de serem pedófilos, não teve continuação. E quem são esses ministros?
A revista não diz. Eu sei quem são, mas não vou dizer, como é evidente.
Está a dizer que teríamos de perder a fé numa investigação criminal isenta...
Nunca tivemos uma investigação criminal isenta. Mais do que isso, temos uma investigação criminal tecnicamente cheia de erros grosseiros. E será essa falta de isenção e esses erros que vou apresentar num dossier muito completo ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Qualquer que seja a decisão do acórdão?
Qualquer que seja a decisão. A minha luta neste momento e o meu site não é apenas para provar a minha inocência. O meu site dirige-se aos portugueses que queiram estar informados, de forma a estarem prevenidos, porque o que me aconteceu a mim pode acontecer a qualquer cidadão, em qualquer tipo de processo. Costuma dizer-se que não há fumo sem fogo, é um dos argumentos muito esgrimido. A isso eu respondo: nunca digas desta água não beberei.
Tem referido muito as provas de que não poderia estar nos locais e datas em que é acusado. Mas os testemunhos foram considerados suficientes para o acusar.
O Ministério Público só tem os testemunhos. Não tem mais nada. Não há nenhuma prova material, factual, documental na acusação. Só tem as testemunhas dos rapazes vítimas. E não provou nada, como lhe compete. Fui eu que tive de provar a minha inocência. Não houve uma vigilância, não houve uma escuta, não houve uma listagem telefónica.
Como é que olha para os rapazes, atribui-lhes credibilidades diferenciadas? Olha para eles como vítimas?
Quando li o processo pela primeira vez, fiquei muito revoltado e com um sentimento de raiva e vingança, até. Não abdico de ser uma pessoa. Mas depois, com o desenrolar do processo, chego à conclusão que estes rapazes têm um percurso de vida muito sofrido que os fragiliza de muitas formas, independentemente de alguns terem perfil anti-social. Ainda ontem pus um artigo no site sobre o facto de os jovens anti-sociais terem uma enorme tendência para mentir e acusar pessoas importantes, porque é uma forma de sentirem que têm poder.
Mas por que razão acusam algumas pessoas e não as mais poderosas, que seriam responsáveis pelos abusos?
Isso é uma pergunta que tem de ser feita ao Ministério Público e a esta equipa da PJ.
Acha que os rapazes falaram em nomes, mas a investigação não valorizou tudo da mesma forma?
Eu acho que os rapazes que falaram nesta investigação foram manipulados, foram conduzidos a fazer falsas acusações. Foram manipulados na sua fragilidade, foi explorada a necessidade de agradarem a alguém com poder ou que julgavam que os pudesse proteger, foram-lhes prometidas indemnizações por parte dos arguidos e não temos nenhum registo vídeo gravado, ao contrário do que acontece nos países civilizados, da forma como foram interrogados. E é nos interrogatórios que está o segredo das falsas acusações. Eles disseram aquilo que a investigação quis que eles dissessem.
Mas um processo desta dimensão é muito acompanhado pelas hierarquias...
Quais hierarquias?
A hierarquia do Ministério Público.
Acha que sim? Eu não acredito. Acho que o dr. Souto Moura foi enganado, mal informado. Acho que ele não conhece o processo nos seus pormenores. Isso é a absolvição que dou ao dr. Souto Moura.
E o director-nacional da PJ?
Reformou-se, com baixa psiquiátrica. Era um dos informadores do "Correio da Manhã" e eu tenho prova disso.
Por causa das cassetes roubadas?
Sim, tive acesso às gravações. Alguém mas enviou por correio num DVD. E é muito curioso ouvir. Não foi só o director nacional da PJ. Ele chega a dizer que nem se quer meter nisso para se auto proteger. Está gravado.
Que fé mantém na justiça?
Como valor, tenho toda a fé. Na justiça portuguesa, tenho muitas dúvidas em relação à forma como funciona. Não pelo conceito mas porque há muitos agentes da justiça que são pessoas mal formadas, que estão ao serviço de interesses muito nebulosos e que ainda têm muito poder dentro da estrutura. Aliás, é nítida a luta pública entre os vários poderes na justiça. Como é que quer que eu acredite num sistema em que todos os agentes andam à pancada uns aos outros? O mais grave, além disso, é que não há formação específica para este tipo de crimes em Portugal. Nem de juízes, nem de polícias, nem de procuradores.
Disse ter sentido que um dos juízes do colectivo tinha um preconceito contra si, mas nunca suscitou, ao contrário de outros arguidos, incidente de recusa. Porquê?
Por uma razão simples: é uma convicção. A convicção de uma pessoa que vive várias vezes por semana a conviver à distância, vendo reacções e o comportamento das pessoas dentro da sala de audiências.
Lançando o site agora e dando entrevistas antes do acórdão, depois de tanto tempo em silêncio, não teme a leitura de que estará a preparar a opinião pública para uma eventual condenação?
Não. A opinião pública tem direito à sua opinião. Eu estive calado sete anos exactamente para não ser acusado de tentativa de influenciar testemunhos no julgamento. A partir do momento em que cheguei à conclusão de que o tribunal já tinha uma decisão tomada, pensei: a decisão está tomada e eu posso aparecer publicamente. E fi-lo da forma mais tranquila, que é criando o meu próprio espaço. A partir daí, tive um desfilar de pedidos de entrevistas. O meu site é uma informação aos portugueses sobre este processo, para perceberem como é possível criar-se de forma quase impune uma monstruosidade e uma mentira que conduz ao assassínio cívico de uma pessoa em Portugal.
Mas está preparado para uma condenação, a partir do momento em que foram feitas as alterações à acusação?
Em função desta alteração, admito a hipótese de uma condenação. Mas isso, ao contrário do que se possa pensar, só me incomoda no sentido em que me vai dar mais trabalho. Sob o ponto de vista moral e intelectual não me incomoda nada porque tenho a minha consciência muito tranquila. Podem-me condenar, mas eu não sou culpado e vivo com a minha consciência primeiro e a minha família depois, com os meus amigos e a sociedade portuguesa. Estes são os meus mundos. E o primeiro, o prioritário, é a minha consciência. Se houver uma condenação, naturalmente irei começar pelo recurso. Continuarei a divulgar todo o processo. E depois irei para as instâncias internacionais todas possíveis e imaginárias.
Este processo é um case study pela complexidade, mas também pela quantidade de incidentes processuais.
Isso é mentira. O dr. Sá Fernandes explicou isso no sábado, no "Expresso": há 40 recursos pendentes, quando se fala em centenas. Isso foi uma falácia, foi mais uma invenção.
Paulo Cunha e Sá [advogado do arguido Manuel Abrantes] disse que houve responsabilidades de parte a parte na demora do processo...
O dr. Paulo Cunha e Sá terá a opinião dele. Eu assisti ao julgamento e acho que nunca houve nenhuma manobra dilatória. A única manobra que podia ter atrasado mais este julgamento - e não atrasou - foi o incidente de recusa em relação à juíza, interposto pelo dr. José Maria Martins. Mas mesmo esse resolveu-se muito rápido. Portanto, os advogados fizeram o seu trabalho porque houve de facto muitas irregularidades neste processo. Mas mesmo assim há centenas de recursos que são mentira. Se ler o artigo de Sá Fernandes estão lá as quantidades - que ele foi de propósito ao tribunal conferir.
Paulo Pedroso, acusado pelas mesmas testemunhas do seu caso, não foi pronunciado. A justiça para ele funcionou?
Essa pergunta devia ser dirigida à juíza Ana Teixeira e Silva, que não pronunciou Paulo Pedroso. A minha convicção é que também ele não tem nada a ver com esta situação e foi envolvido naquela componente política de que falava há pouco. Mas que houve uma duplicidade de critérios da juíza, houve: as testemunhas são as mesmas, as situações, o local, são os mesmos. Ela utilizou o critério do reconhecimento fotográfico, formalmente acho que é aceitável. Mas também é verdade, se vamos para o caso de Paulo Pedroso, que o acórdão da Relação que o liberta da prisão preventiva destrói completamente os depoimentos desses rapazes. Como é que há um tribunal superior que descredibiliza totalmente os depoimentos, há uma juíza de instrução que credibiliza para um e descredibiliza para outro e há o Ministério Público (MP), com a actuação que tem tido.
Mas as pessoas ligadas ao processo estavam todas envolvidas na tal maquinação que diz ter sido construída?
Não é uma maquinação no sentido de plano preconcebido. É-o no sentido em que a partir do momento em que se abriu uma caixa de Pandora, o MP e a investigação fizeram constantes fugas para a frente. E nisso a comunicação social tem enorme responsabilidade: através de quebras de segredo de justiça, fugas de informação e forma selectiva de divulgar conteúdos do processo, criou na opinião pública um sentimento de culpa em relação a mim. Os media criaram uma histeria pública.
Esteve mais de um ano preso. Como foi esse tempo? Sentiu-se maltratado?
Nunca. Fui sempre bem tratado, respeitado, foi um período muito enriquecedor de encontro comigo mesmo. A solidão levou-me a fazer uma enorme introspecção que me levou a sentir enorme orgulho no cidadão e pessoa que sou. Houve apenas um episódio de humilhação por parte de um guarda. Eu vinha a sair do consultório médico e levou-me para uma sala, mandou-me despir todo e pôr de cócoras e revistou-me todo - uma tentativa de humilhação a que fui respondendo calmamente. Acontece que esse guarda foi mais tarde preso por tráfico de droga. Há justiça divina.
Acredita nela? Mais do que na dos homens?
Acredito plenamente. Acho que deve ser mais tardia porque Deus deve andar muito ocupado, mas acredito que há entidades superiores que se encarregarão de pôr em ordem, no futuro, os homens que fizeram este crime de que me acusam.
A sua filha mais nova cresceu com isto. Como foi explicar o que é este processo?
Tinha dez meses quando fui preso e dois anos quando saí da prisão. Foi um processo muito lento, cuidadoso, explicando porque me prenderam, qual é o trabalho do advogado, do juiz, explicando que as pessoas mentem e isso será provado - mas demorará.
Quem está à sua volta nunca duvidou se também mentia?
Nunca. Nunca vi um olhar de dúvida. Nem da Raquel, nem da Marluce, nem do meu enteado ou da minha filha mais velha... Porque as pessoas conhecem a vida que eu fazia. O que é que eu dizia à minha mulher sábado de manhã para ir para Elvas cinco horas? Vou ali comprar cigarros? Eu estava com ela e se tivesse de sair era para os estúdios e telefonávamo-nos - e isso está tudo registado.
A sua vida mudou muito, também financeiramente. Como é o seu dia a dia?
Não mudou, arruinou. É uma vida comedida, controlando custos e responsabilidades que ainda tenho, tenho algumas dívidas, hipotecas e tenho a minha reforma e fui vendendo património para responder a compromissos. Tinha uma colecção de pintura muito boa que praticamente desapareceu, tinha uma casa no Alentejo e outra no Algarve que tive de vender. A pouco e pouco, de rico e poderoso passei a pobre e poderoso. Ainda dizem que sou rico, mas são pessoas doentes. Ultrapassei recentemente no site as quase 800 mil páginas visitadas e quase três mil mensagens - respondo pessoalmente a todas - e dessas apenas 36 foram provocações.
Na rua nunca foi confrontado?
Pelo contrário, pedem-me autógrafos. Ainda outro dia fui tratar do cartão do cidadão, vinha a sair uma senhora com a família, pediu-me autógrafos e tirou fotos comigo. Há quem me deseje força e sorte - é engraçado desejarem sorte quando é uma questão de justiça: é transformá-la numa lotaria.
Em televisão, tem algum projecto na gaveta?
Tenho sempre: desde 2002 tenho trinta e tal na gaveta - alguns já estão ultrapassados. Mas tenho um convite para um programa de televisão.
Está dependente da sentença?
Sim e não. É um convite estranho porque me disseram que o convite se mantinha, independentemente do desfecho.
Mas é um programa seu?
Não é da minha autoria, mas é para eu apresentar sozinho, parecido com um talk show...
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