Sporting. Três males que vêm por bem: o leão tem sete vidas

por Bruno Roseiro, Publicado em 27 de Agosto de 2010   
Jogo épico dá o primeiro apuramento na UEFA após uma derrota em casa
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Confiança. Humildade. Perseverança. Felicidade. Sofrimento. Coragem. Classe. O novo leão tem sete vidas e, quando todos faziam a contabilidade (desportiva e financeira) do afastamento do Sporting da Liga Europa, os lisboetas entraram na história ao conseguirem inverter, pela primeira vez (em 55 anos...), uma derrota em casa na partida inicial de uma eliminatória. A derrota em Alvalade foi um mero alerta amarelo: quem viu o vermelho acabou por ser o Brondby, que sofreu quase tantos golos (três) como os que a equipa verde e branca marcara em seis jogos oficiais (quatro). Evaldo abriu, Nuno Coelho - um central que vai à frente e chuta para golo... como Moutinho - deu continuidade, Yannick fechou (com chave de ouro no melhor golo). O 3-0 não sofre contestação: há três måles (ou golo em dinamarquês) que vêm por bem...

CONFIANÇA Os primeiros encontros em 4x4x2 não correram de feição, Paulo Sérgio até apostou no 4x3x3 com o Marítimo mas, na hora da verdade, veio ao de cima o plano A. E com os principais intérpretes na frente: Vukevic, Yannick, Liedson e Postiga. O Brondby tentou meter respeito enquanto distribuía pancadas atrás de pancadas em André Santos, um mártir que passou mais tempo no chão do que em jogo nos primeiros dez minutos. Jallow lançava o perigo mas o Sporting começou a cavar o caminho da missão impossível pela esquerda, com Evaldo a fazer de Pereira (na disponibilidade ofensiva) e a cruzar sempre com perigo. O problema estava, apenas, no costume: a finalização de Liedson, Vuk e Postiga.

HUMILDADE À falta de melhor no relvado, começavam a aparecer os adeptos dinamarqueses, que iam empurrando, de fora para dentro, o Brondby mais para a frente. O Sporting aguentou, recusando ir à toa para a frente. E foi com essa atitude que tomou conta do jogo, tendo mais posse de bola e conseguindo criar algumas situações de aperto na área dos escandinavos. Nem mesmo um golo (mal) anulado a Liedson, na recarga a um remate interceptado de Abel, retirou discernimento aos leões, que alargavam o jogo às alas mesmo perante a desinspiração.

PERSEVERANÇA Entre pontapés disparatados para a frente e alguma pressão sobre o juiz - a propósito de lançamentos laterais... -, assistia-se a um jogo do gato e do rato: o Brondby juntava linhas para tornar impossível o Sporting chegar com perigo à baliza, mas os gatos, perdão, os leões mostravam uma maior inteligência na forma como procuravam trajectos abertos entre muitas faixas fechadas.

FELICIDADE O primeiro golo lá apareceu. E com muita sorte, não pela forma como foi obtido - livre bem batido para a cabeça de Evaldo, sozinho no coração da pequena área - mas pelo timing: primeiro e último minuto de descontos. As equipas iam para os balneários com ânimos bem distintos: os visitantes festejavam, os visitados tentavam explicações...

SOFRIMENTO O reatamento trouxe um Sporting mais rematador - foi mesmo uma equipa de tiro ao alvo a jogar futebol, como o i tinha titulado ontem - mas Postiga e Liedson acertaram no guarda--redes ou em tudo o que era sítio menos na baliza. Notavam-se os sinais de desespero mas estavam a chegar os dez minutos críticos (dos 60 aos 70) que fizeram sofrer os leões. Aí, o Brondby falhou três bolas de golo e uma quarta, a mais perigosa, permitiu que Rui Patrício mostrasse que merece mesmo ir à selecção...

CORAGEM O meio-campo estava perdido, a defesa assustada com tanta iniciativa perigosa. E foram os "reforços" que deram uma sapatada na reacção: André Santos atirou forte ao lado, Coelho, qual Moutinho, teve mais sorte (até porque Andersen ajudou) e empatou a eliminatória num disparo de fé... a 30 (!) metros.

CLASSE O mais difícil estava feito. E logo a seguir Matías Fernández falhou o fácil: sozinho desde o meio-campo, o chileno deixou-se antecipar. Entrou Valdés, um compatriota, para avançar mais (conseguiu rematar) para o mesmo (foi ao lado). Descontos, prolong... Não, descontos, golo: depois de uma assistência de Liedson, Yannick, no dia em que Luciana Abreu anunciou que está grávida, fez um chapéu fabuloso e sentenciou a remontada. Foi ele o último pai da revolução verde...


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