Mulher que matou filho à nascença aguarda julgamento em liberdade

por Sílvia Caneco e Filipe Morais, Publicado em 26 de Agosto de 2010   
Depois do parto, num quarto da casa na Bajouca, Leiria, a mulher de 35 anos terá asfixiado o bebé
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A. esteve todo o sábado trancada no quarto da casa, mas nesse dia e mesmo no seguinte ninguém reparou. Quando a Polícia Judiciária de Leiria chegou na madrugada de terça-feira à moradia no Moital, freguesia da Bajouca, no limite do concelho de Leiria e de Pombal, encontrou um recém-nascido morto, embrulhado em cobertores, ao lado da cama em que A. dormia, num quarto fechado à chave - o mesmo em que A., de 35 anos, terá estado todo o sábado trancada, sozinha, em trabalho de parto. O estado do quarto mostrava indícios de que o bebé terá nascido e morrido ali mesmo, horas depois de nascer.

A mãe do recém-nascido foi de imediato detida pela PJ e indiciada por crime de infanticídio. Ontem foi conhecida a medida de coacção: ficou sujeita a apresentações quinzenais no posto da área de residência.

A. contou no momento da detenção que terá "asfixiado a criança" após o parto, mas só a autópsia, da qual ainda não são conhecidos os resultados, poderá esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o parto e a morte.

Dentro da casa em que vivia com o marido e os três filhos  dois deles filhos de um outro casamento -, ninguém saberia da existência de um recém-nascido morto dentro do quarto, nem mesmo da gravidez, que A. terá ocultado de todos. Terá sido o cheiro a lançar o alarme. A denúncia, feita à GNR na segunda-feira, partiu de "alguém que estava próximo da casa, mas não vivia lá", adiantou ao i fonte da PJ de Leiria.

O marido não estava em casa no momento em que a PJ chegou, mas "não há indícios de que mais alguém tenha estado envolvido no crime", sustenta a fonte da Judiciária.

A. não saía de casa desde sábado, dia em que terá ocorrido o crime. Registada como empresária em nome individual, trabalhava numa papelaria em Meirinhas, concelho de Pombal. O telefone do estabelecimento esteve incontactável durante o dia de ontem.

Um dos fornecedores da papelaria, que pediu anonimato, disse nunca ter tido "qualquer problema" com a colega de profissão e ficou chocado com a notícia: "Ainda há pouco tempo me fez uma grande encomenda de livros. Não me passa pela cabeça ter trabalhado com um bicho." E o pai de A., que vivia num outro andar da mesma casa, contou ao "Diário de Leiria" que "nunca" se apercebeu da gravidez da filha.

Pelo crime de infanticídio, A. incorre agora numa pena máxima de cinco anos. De acordo com o Código Penal, esse crime aplica-se quando uma mãe mata "o filho durante ou logo após o parto e estando ainda sob a sua influência perturbadora" e é punido "com pena de prisão de um a cinco anos".


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