Telecomunicações

Accionistas da Oi em guerra por causa da Portugal Telecom

Publicado em 26 de Agosto de 2010   
Persiste o conflito por um lugar na administração no grupo brasileiro de telecomunicações
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Os fundos de pensões com participação accionista na Telemar Participações - holding que controla a Oi - estão a fazer pressão para não perder um lugar no conselho de administração da empresa, apesar da entrada no capital da Portugal Telecom (PT).

Este impasse, segundo a imprensa brasileira, divide a Petros, fundo da Petrobras, e o Funcef, da Caixa Económica Federal, que é o terceiro maior fundo de pensões brasileiro. Cada um destes fundos detém 10% da Telemar e, entre os accionistas da holding, falta alguém ceder 0,3% à empresa portuguesa.

No acordo de compra assinado pela PT e a Oi, ficou previsto que a operadora portuguesa ficará com 10% da Telemar Participações, uma fatia cuja origem já está parcialmente definida: do Banco Nacional de De-senvolvimento Económico e Social (BNDES), que detém 16,8% das acções, chega 6,8% do capital. Já da Previ, uma fundação do Banco do Brasil, a PT irá receber o correspondente a 2,9% do capital dos 12,9% de acções que a Previ detém.

Com estas duas fatias a PT atinge os 9,7% das acções da Telemar, ficando a 0,3% do capital para garantir o seu lugar na administração e é precisamente aqui que reside o impasse, segundo as fontes citadas pelo diário brasileiro "Globo". Tal ocorre porque se a Petros ou a Funcef venderem qualquer acção, perderão o direito a um lugar no conselho de administração da holding que controla a Oi. Inicialmente estava previsto que a Previ abandonasse o capital da operadora brasileira mas, segundo fontes das negociações, este fundo de pensões acabou por mudar de ideias.

A Telemar Participações conta com um total de sete lugares no conselho de administração e, uma forma possível de contornar estes obstáculos, passará pela criação de mais um assento já que, pelos estatutos, a operadora pode ter até nove administradores.

"É um activo importante, daí ninguém querer abrir mão de um lugar", explicou sobre o impasse um administrador não identificado da Telemar ao "Globo". "O impasse deve ser resolvido em breve." "É só isso que está a atrapalhar o processo" de entrada da PT na operadora brasileira, concluiu.

Brasil em expansão A PT fechou a compra de uma participação na Oi no final de Julho, devendo ficar com 22% - directo e indirectamente - do capital por 3,75 mil milhões de euros.

Este é o maior grupo de telecomunicações brasileiro, considerando os mercados fixo, móvel, televisão e banda larga, detendo 37 milhões de clientes na oferta móvel, aos quais se juntam mais 20,8 milhões de clientes na rede fixa.

O mercado brasileiro de telecomunicações tem vivido nos últimos três anos um período de rápida expansão em todos os segmentos, tendo ontem sido noticiado uma subida de 15% no total de subscritores de serviços de televisão paga. No final de Julho contavam-se já 8,6 milhões de lares com este serviço - o que implica que perto de 28 milhões de brasileiros têm acesso ao mesmo. Em termos anuais o crescimento foi de 15%, sendo que só entre Junho e Julho deste ano, mais 173 mil lares brasileiros subscreveram o serviço.

A televisão por subscrição é um dos mercados brasileiros em que a PT procura crescer em parceria com a Oi - que lucrou 197 milhões de euros no segundo trimestre do ano.


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