Uma equipa de tiro ao alvo a jogar futebol

por Bruno Roseiro, Publicado em 26 de Agosto de 2010   
Sporting joga em Copenhaga missão (quase) impossível: marcar três golos sem sofrer. Tentativas não têm faltado, mas os últimos 50 remates só deram um golo... e de penálti
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Copenhaga é uma das cidades mais visitadas da Europa nesta fase do ano e, entre muitos pontos de interesse, encontra-se o Guinness World Records, casa dos maiores e mais excêntricos recordes mundiais. Em 2010, a Wii Sports ganhou o prémio de jogo mais vendido (45 milhões de cópias), a NBA Jam tornou-se a máquina arcade mais bem sucedida no primeiro ano (mil milhões de dólares, ou 790 milhões de euros) e o Pac-Man foi eleito a personagem das consolas mais conhecida. Hoje na capital da Dinamarca, o Sporting procura um feito com uma dimensão quase semelhante: virar uma desvantagem de 0-2 para 3-2, fora e em 90 minutos. Não é impossível - ninguém se esquece da "remontada" com o Manchester United em 1963-64, época da conquista da Taça das Taças, em que os leões passaram de 1-4 em Old Trafford para 5-0 em Alvalade - mas quase. E para isso são necessários golos, os mesmos que têm faltado aos lisboetas. Golos e só golos porque as tentativas estão à vista nas estatísticas: nos últimos 50 remates tentados à baliza, entre Paços de Ferreira, Brondby e Marítimo, apenas o penálti de Matías Fernández conseguiu ter destino certo.

"O Sporting tem de ser muito eficaz desde o primeiro minuto, mas acreditamos que, com trabalho organizado, as bolas vão começar a entrar", referiu Paulo Sérgio, o treinador leonino, que pôs toda a equipa no habitual treino de adaptação ao relvado a trabalhar a... finalização.

É questão de afinar a mira, mas à partida os lisboetas partem para o encontro de hoje como uma formação de tiro ao alvo a (tentar) jogar futebol. Como em Paços de Ferreira, onde 12 remates - um ao poste - deram zero golos; como frente ao Brondby, onde 18 remates - dois ao poste - deram zero golos; ou como diante do Marítimo, onde 20 remates deram um golo de grande penalidade e no último minuto. Em tentativas, este Sporting está mesmo a crescer, mas falta o resto.

"Temos de mandar no jogo de uma forma equilibrada e utilizar o Sp. Braga como inspiração para passar a eliminatória. Já fizemos muitas coisas boas esta temporadas, mas, por causa da ineficácia, não atingimos os resultados. Mas isso vai mudar", garante o técnico, que confirmou apenas a entrada de Abel no onze (por João Pereira). Quanto a outras possíveis - e prováveis - mexidas, nos nomes ou na táctica, limitou-se a afirmar que "a equipa está preparada para jogar em 4x4x2 ou 4x3x3", mas salientou que "apesar de ser um período de reconstrução, em que se deve experimentar, já começa a chegar o tempo de definir a matriz que será mais vezes apresentada na época".

Dúvida: com o Sporting, que nunca tinha perdido com dinamarqueses até à última semana, na Europa? "Sair da Europa seria uma desilusão enorme e uma derrota, e uma eliminação nunca traz nada de bom...", constatou. E bem - perde-se dinheiro para reforços e confiança. Mais: tudo ficaria em causa no reino (em reconstrução) de Alvalade logo em Agosto.

Veja hoje o Brondby-Sporting às 18h (SIC)


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