Risco de recessão aumenta na Europa e nos EUA. Em Portugal é de 50%
por Luís Reis Ribeiro, Publicado em 25 de Agosto de 2010
Consenso: banqueiros centrais e Joseph Stiglitz avisam que as economias estão a vacilar. Cortes no défice agravam
Vários banqueiros centrais de grandes economias desenvolvidas e economistas reconhecidos como Joseph Stiglitz, relembraram que os planos de austeridade dos governos e as fragilidades dos mercados de crédito estão a ameaçar os países com uma nova recessão. Portugal está neste rol.
O Prémio Nobel Stiglitz disse ontem que "cortar nos investimentos de alta rentabilidade, só para melhorar a perspectiva do défice orçamental é ridículo", apontou à rádio irlandesa RTE, citado pela Bloomberg. O economista criticou com dureza as regras do Tratado europeu, que impõe um limite de 3% do produto ao défice público, observando que se trata de "um número artificial que não tem qualquer ligação com a realidade e que tem apenas em conta um lado da balança".
O professor da Universidade de Columbia, tomando o exemplo irlandês - economia que sofre de um esvaziamento severo do mercado imobiliário e de outros investimentos -, concluiu que se "Alemanha, Reino Unido e outros dos maiores países seguirem esta abordagem de austeridade excessiva, a Irlanda irá sofrer". E a "Europa pode voltar à recessão".
Charles Evans, presidente da Reserva Federal de Chicago e um dos governadores da Fed, também está preocupado com os sinais de enfraquecimento da maior economia do mundo, os Estados Unidos. "Um novo afundamento não é o resultado mais provável, mas estou preocupado sobre quão forte será a retoma", disse, citado pela Reuters. Nos últimos seis meses o risco de nova recessão aumentou. A economia deu alguns sinais de expansão, mas o desemprego não recuou e o mercado residencial continua "fracturado".
De volta à Europa, Martin Weale, um economista britânico "muito respeitado" e novo membro do conselho de governadores do Banco de Inglaterra, disse ao "The Times" que uma nova recessão "é um risco real". "As pessoas serão tolas se disserem que isso não pode acontecer ou que, definitivamente, não irá acontecer", acrescentou.
Para Weale, o Reino Unido poderá sofrer um novo aumento do desemprego, uma nova descida de preços das casas e uma nova crise bancária. E porquê? Os problemas podem surgir de "uma crise de dívida soberana ou de uma nova crise de liquidez no sector privado", explicou.
Em Portugal, a tónica oficial é de confiança. Na inauguração de uma fábrica em Vale de Cambra, José Sócrates, o primeiro- -ministro, apelou ao optimismo e à confiança (ver texto ao lado). A economia dá "sinais encorajadores" pois tem havido investimento e exportações, disse.
Mas o diagnóstico mais recente feito pelo Banco de Portugal em Julho vê a situação através de outro prisma. Os economistas da instituição dizem que a economia portuguesa está ameaçada por uma nova recaída. "Existem riscos de uma nova recessão no horizonte de projecção." A probabilidade do PIB cair este ano é de 15%, mas sobe para mais de 50% em 2011, diz o Banco.
"A eventual necessidade de medidas adicionais de consolidação orçamental em diversos países [...] justificou incluir a possibilidade da procura que é dirigida às empresas portuguesas ficar abaixo do assumido nas projecções." Além disso, "a evolução da economia portuguesa nos próximos anos será assim fortemente determinada pela conjugação dos necessários processos de consolidação e de desalavancagem do sector privado", reconhece.
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