Roteiro

Passear Lisboa menina e moça, menina

Publicado em 05 de Junho de 2009   
Acha que conhece a cidade? Esta Lisboa velha talvez não conheça. A partir de Alfama, duas horas e três quilómetros numa viagem ao passado
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Partida: Esquina da Praça do Comércio com a Rua da Alfândega

São 14h30. Agora é só procurar a mochila laranja a dizer "Let?s walk". A mochila é como que o uniforme dos guias do Lisbon Walker, e o que lá está escrito é o lema deste grupo que existe para correr e dar a conhecer Lisboa a pé: vamos andar. No primeiro domingo de cada mês, ou seja, depois de amanhã, o destino é "Lisboa, a cidade velha". Alfama, a Sé, o Miradouro de Santa Luzia, em três quilómetros percorre-se a área correspondente à primeira colina de Lisboa, a primeira a ganhar espaço ao Tejo e a ver nascer uma cidade, há mais de dez séculos.

A primeira paragem faz-se na Rua da Alfândega, em frente à Igreja da Nossa Senhora da Conceição Velha, que em tempos se chamou Igreja da Misericórdia e foi dos poucos edifícios a ter a misericórdia do grande terramoto de 1755. Atravessando o Arco das Portas do Mar, entramos em Alfama, na "cidade velha". Sempre a subir vamos dar ao Largo da Sé, onde também se encontra a Igreja de Santo António. Enquanto se descansa no passeio, aprende-se um pouco da história de Portugal e dos próprios edifícios. Mas a paragem não é longa. Seguindo pelas Cruzes da Sé e pela Rua São João da Praça, quase toda forrada a azulejos por causa da humidade que vinha do Mar da Palha, chegamos à Travessa de São João da Praça, que chegou a ser a rua mais larga da cidade mas que hoje não parece maior que um colchão.

Em Alfama, a história confunde-se. Os muros que demarcaram a cidade conquistada aos mouros no século 12 convivem com casas medievais de portadas árabes, como a que se encontra no Largo de São Miguel, ou ainda com edifícios que parecem ter sido feitos com peças da Lego de caixas diferentes. "Depois do terramoto, todos os esforços de reconstrução foram concentrados na zona real do Terreiro do Paço, e em Alfama as pessoas tiveram de reconstruir as casas por si próprias", explica uma das guias, Rita Macedo. Assim, hoje é possível encontrar casas humildes apoiadas em colunas palacianas, como no Largo do Chafariz de Dentro. Quanto mais nos entranhamos em Alfama, maior é a sensação de que o tempo parou. Ainda existem casas sem casa de banho e um balneário público onde passa gente de pijama e chinelos, e também há um lavadouro onde se contam as novidades enquanto os lençóis secam ao sol.

Chegada: Miradouro de Santa Luzia

O regresso ao presente faz-se pelas Escadas Norberto de Araújo, que nos levam ao Miradouro de Santa Luzia. É aí, ao pé da estátua do santo padroeiro e a olhar para a cidade, que nos é dada uma pequena história do fado. Um género antigo mas cheio de vida. Tal como Lisboa.


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