Comer
Pão-de-ló à entrada, copos e boa música nas traseiras
Publicado em 05 de Junho de 2009
Sim, adivinhou: na Casa de Ló há os doces da avozinha, mas também um bar cheio de onda
Já se pode dizer que o Porto tem uma nova Baixa. Há muito tempo que a cidade não via tanta coisa a renascer. Estabelecimentos históricos onde só moravam fantasmas juntam cada vez mais gente que concilia o útil da reabilitação urbana ao agradável de criarem os seus próprios negócios.
A Casa de Ló, na porta 20A da Travessa de Cedofeita, é um dos exemplos mais recentes dessa tendência. Ali se celebrizou, desde 1880, a Casa Margaridense, loja de doçaria tradicional que nunca deixou de desviar comércio da Rua de Cedofeita. Só que, há cerca de dois anos, e apesar de beneficiada pelo culto gerado em torno do Espaço 77 (café/sala de jogos/esplanada, mesmo ao lado), fechou. Quis o destino, porém, que Sara Pinto e Adriana Rocha, duas professoras com um sonho comum, a reabrissem. Melhor: a reconvertessem.
Hoje o estabelecimento tem três núcleos: à entrada encontramos a loja como ela era, bem recuperada (balcão de mármore, mobiliário do século 19...) e com uma diversidade de doces artesanais a reivindicar créditos antigos; uma porta dupla separa-nos do bar, outrora zona de fabrico de pão-de-ló, cavacas e afins, agora um espaço simples, de média dimensão, onde ao almoço se servem tartes salgadas, sopa e sandes várias, ao lanche há tentações como o bolo de chocolate, a tarte de maça ou, claro, o pão-de-ló - o verdadeiro pão-de-ló de Margaride - e à noite predominam os copos e a boa música; por fim surge-nos o pátio, enquadrado num muro branco de quatro metros (em volta do qual se estendem, a servir de assento, os velhos fornos de pão-de-ló) com chão de gravilha e tecto de céu, convidando ao cigarro.
E ainda há livros "O que fizemos sublinha uma tendência contemporânea, não é nada de novo", reconhece Sara Pinto, antes de um justificado "mas": "Mas foi feito com gosto e dedicação." Só a pesquisa dos doces e seus fabricantes - "na net e junto de conhecedores", precisa - levou um ano inteiro. "Temos compotas, geleias, cacos em forno de lenha, chocolate da Vianense, rebuçados da Régua...", segue embalada por ali fora, antes de mencionar também a venda de livros (vai, aliás, haver bookcrossing) e "outras coisinhas". Para o pátio planeiam-se sessões de cinema ao ar livre, estando já em preparação "um ciclo dedicado a Carmen Miranda", revela.
A clientela da Casa de Ló, como se adivinha, varia entre a loja e o bar, mas, globalmente, Sara e Adriana cumprem o interessante desígnio de juntar gente de todas as idades num mesmo espaço. Memória e futuro, em plano doce, a reiterar que a tradição está na moda.
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: Pão-de-ló à entrada, copos e boa música nas traseiras
Actividade em ionline