Política
Saúde, educação, trabalho. PS avança em três frentes
por Rute Araújo e Adriano Nobre, Publicado em 24 de Agosto de 2010
Sócrates prepara contra-ataque para travar subida nas sondagens de Passos. Manifesto pró-SNS deu o pontapé de saída para a ofensiva rosa
O PS prepara-se para lançar uma guerra sem quartel às políticas sociais do PSD. Ontem, avançou com um manifesto em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Mas o braço-de-ferro entre Sócrates e Passos Coelho estende-se a outras áreas e a batalha pelos votos nas próximas eleições será feita em torno de três pilares do Estado social. Depois da Saúde, os socialistas querem pôr o país a discutir a Educação e o Emprego através de fóruns, debates e manifestos abertos a contributos de dentro e fora do partido. Está lançado o programa de festas para os próximos meses e será bem-vindo, quem vier "a bem" da actual Constituição.
Por enquanto é o SNS a concentrar os esforços da máquina de comunicação socialista. Um manifesto assinado por 20 pessoas da saúde, incluindo a actual ministra Ana Jorge e o ex-ministro Correia de Campos, os presidentes dos dois sindicatos médicos, a bastonária dos enfermeiros e os históricos António Arnaut e Albino Aroso, deu o pontapé de saída da nova estratégia rosa. Alvo: as "inaceitáveis" intenções liberais do PSD de mudar o actual modelo de prestação de cuidados. O documento segue o princípio da evolução na continuidade: o SNS "é uma conquista" demasiado grande para que seja posto a perder com mudanças na Constituição ou na sua estrutura de base. Rejeita a ideia de uma "saúde a duas velocidades", consoante os rendimentos dos utentes, e defende que os portugueses estariam bem mais doentes se o SNS não fosse como é. Não responde à pergunta dos desafios que o financiamento da saúde irá colocar no futuro próximo e volta a dar como única resposta uma melhor gestão dos actuais recursos, seguindo a ideia do fazer mais e melhor com o mesmo dinheiro.
A ofensiva rosa motivou uma reacção imediata do PSD. "É tudo falso", garantiu Calvão da Silva. O social-democrata que integra o grupo de revisão constitucional do partido, defende que o PS fez uma interpretação "de má-fé" das ideias laranja e garante que a ideia é até alargar os cuidados de saúde. "Muita gente no Serviço Nacional de Saúde pode até passar a ter entrada gratuita onde hoje se pagam taxas moderadoras. O nosso projecto é muito mais favorável aos desfavorecidos", defendeu.
Os planos do PSD são a manutenção de serviços públicos, mas uma maior participação do privado nos cuidados prestados à população. No seu livro "Mudar", Passos Coelho acredita que colocar os serviços a competir trará benefícios para os doentes. E, por isso, quer dar a gestão de hospitais de pequena e média dimensão a privados "preparando para a sua futura eventual privatização". O Estado paga, o doente escolhe onde quer ser atendido.
Enquanto o PS aposta no maior rigor da gestão, Passos Coelho defende que "apenas com boa gestão e eficiência não resolve o problema" dos crescentes custos da saúde. "A saúde não poderá deixar de permanecer tendencialmente gratuita" através dos cuidados públicos. Mas o PSD quer separar o que é "um bem social, financiado pelo Estado, e o que deve ser co-financiado ou financiado totalmente pelo privado". Por isso, refere que uma parte da despesa terá de ser "efectuada directamente pelas pessoas", sendo depois compensados com "desagravamentos fiscais".
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