O Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) não tem prevista nenhuma alteração ao Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA), informou a diretora adjunta do departamento de áreas protegidas.
No domingo cerca de 250 embarcações de recreio e de pesca estiveram reunidas no Portinho da Arrábida num desfile de protesto contra o que consideram ser “as restrições excessivas e desajustadas” impostas em 2005 pelo POPNA que, defenderam, “divorciaram as pessoas daquele espaço”.
Em declarações à agência Lusa, a diretora adjunta do departamento de áreas protegidas que integra o Parque Natural da Arrábida, Teresa Leonardo, afirmou que o ICNB não concorda com a perspetiva dos manifestantes.
“As regras de utilização que o POPNA estabelece foram essenciais para travar a degradação em que a Arrábida se encontrava e a sua manutenção é essencial para permitir reverter a situação”, afirmou.
A lógica das proibições, continuou, “é tentar recuperar alguns equilíbrios que permitam que todas as pessoas que usufruem do parque possam continuar a fazê-lo. Estamos a trabalhar para um bem comum com os vários atores”.
O POPNA foi aprovado em 2005 depois de um período de discussão pública e foi aplicado de forma faseada até 2010.
Teresa Leonardo considera os protestos normais porque, “de alguma forma, as pessoas sentem-se limitadas na sua atuação”, mas defende que se trata também de uma questão de comunicação.
“Vamos, por isso, ouvir os protestos e tentar perceber os argumentos de cada um agentes para, em conjunto, conseguirmos encontrar soluções. E pela experiência posso dizer que na maioria dos casos isso nem implica uma alteração das regras”, afirmou.
O ICNB tem também em curso alguns projetos de investigação para monitorizar a evolução da área protegida e a eficácia do POPNA. Os resultados, diz, têm sido muito positivos.
“Em 2005 tínhamos 1100 espécies registadas no parque marinho. Em 2010 registámos 1300. Em termos de atividades económicas, quer em lota, quer na pesca comercial, registámos um aumento de capturas em termos de valor e em termos de quantidade do pescado. E, por exemplo, em 2005 não existiam embarcações de mergulho e agora há dez registadas e licenciadas”, argumentou.
Teresa Leonardo garante, no entanto, que “a monitorização dos ecossistemas continuará a ser feita para perceber se algumas restrições existentes podem ser alteradas ou se é preciso criar outras”. Os resultados serão, também “conjugados com o sumo destes protestos”.
JYF
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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