FC Porto. O monólogo das vitórias aos olhos de quem quer ver
por Filipe Duarte Santos, Publicado em 22 de Agosto de 2010
Villas Boas foi o primeiro treinador a denunciar aquilo que todos os jornalistas já conheciam - no Estádio da Luz não há conferências de imprensa na véspera dos jogos, Jorge Jesus faz "monólogos" para a Benfica TV, não se sujeita a questões incómodas e as suas explicações são as que o órgão oficial do clube entende pertinentes. É por esse canal que o treinador do Benfica, antes de cada derrota... garante que as águias vão revalidar o título. O Benfica pode entender-se campeão dentro de casa mas, por fora, a realidade é outra e as contas dizem que o FC Porto já está com seis pontos de vantagem, ainda a Liga vai no adro. É o outro monólogo, o da vitória, porque para já os dragões só sabem ganhar - ontem chegaram ao segundo triunfo consecutivo, depois de baterem o Beira-Mar sem qualquer dificuldade. Ao intervalo o marcador já estava em 2-0, no final os portistas já estavam no topo da classificação (seis pontos, com o Nacional).
Poucas equipas deverão aparecer no Dragão como o Beira--Mar, de peito aberto e ousado, à procura da posse de bola e da pressão, a proporcionar uma primeira parte que nem parecia de futebol português, tal a soma de boas intenções e de espaço para jogar. A diferença esteve toda na capacidade técnica das equipas. Enquanto o aveirenses tinham dificuldade em concretizar no pé o bom futebol que lhes passava pela cabeça, os portistas chegaram-se à frente, com Falcao a fazer o 1-0 depois de pentear a bola para a baliza, na sequência de um cruzamento perfeito de Álvaro Pereira. Wilson Eduardo teve duas oportunidades de golo mas faltou-lhe o capricho técnico para concretizar; perderam-se as oportunidades de empate e, no final da primeira parte, o FC Porto chegou ao 2-0 num extraordinário livre directo de Belluschi. Estava decidido o jogo e o 3-0 final (Falcao) seria decorativo. Para o FC Porto não importa não ter Hulk ou Ukra (saiu lesionado aos 6 minutos), não incomoda a dupla de centrais renovada ou um Souza em adaptação. A máquina ganha enquanto a concorrência se arrasta. Há quem não saiba perder dois anos seguidos, se calhar outros não sabem ganhar dois campeonatos consecutivos.
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