Politica
Jerónimo anuncia terça-feira candidato às presidenciais
por Ana Sá Lopes, Publicado em 23 de Agosto de 2010
O candidato do PCP vai ser anunciado dez dias antes da Festa do Avante!. O secretário-geral desvenda o nome-mistério na terça-feira
O Comité Central do PCP foi convocado para, amanhã, na Soeiro Pereira Gomes, fazer o debate final sobre o candidato que os comunistas vão apresentar na corrida a Belém. Às 17 horas, o secretário-geral, Jerónimo de Sousa, anuncia o nome do "camarada" que vai disputar os votos da esquerda com Manuel Alegre (candidato do PS e do Bloco de Esquerda), Fernando Nobre (sem apoios partidários, mas com a simpatia de Mário Soares) e Defensor Moura, deputado do PS, ex-presidente da Câmara de Viana do Castelo.
O texto enviado ontem à tarde às redacções é ainda omisso sobre o anúncio do candidato presidencial. O Comité Central, informa o PCP, reúne-se "para analisar a situação política, questões relativas às eleições presidenciais e outras tarefas partidárias", segundo a nota do gabinete de imprensa.
A possibilidade de o nome do candidato do PCP a Belém ser divulgado ainda em Agosto tinha sido anteriormente admitida pelo secretário-geral, Jerónimo de Sousa, que já garantiu que a candidatura do PCP "não será de faz-de-conta", independentemente de ainda não haver uma decisão sobre se é para ir - ou não - até às urnas. Mas quase todos os candidatos comunistas foram até ao fim, à excepção de Jerónimo de Sousa em 1996, que desistiu para apelar ao voto em Jorge Sampaio.
Mobilizar o eleitorado O último congresso do PCP já tinha assumido a necessidade de o partido estar representado nas presidenciais, mas a decisão definitiva foi assumida pelo comité central, na reunião de 11 de Abril, onde ficou decidida "a apresentação de uma candidatura própria às eleições presidenciais de 2011, com o objectivo de [o PCP] afirmar as suas próprias ideias quanto ao papel e funções do Presidente da República, e de contribuir para que seja assegurada na Presidência da República uma intervenção comprometida com a defesa e respeito da Constituição da República, liberta dos interesses e posicionamentos do capital".
Numa altura em que PS e Bloco partilham o mesmo candidato, Jerónimo de Sousa tem insistido que é "um equívoco pensar que, neste quadro, numa primeira volta, é um mal a existência de diversas candidaturas". Jerónimo tem sustentado em diversas declarações públicas que "ninguém melhor do que o PCP mobiliza o seu eleitorado", o que para efeitos de segunda volta pode ser benéfico. "Ou o candidato da direita que antes de ser já o é, no caso concreto Cavaco Silva, ganha com mais de 50% perante uma ou dez candidaturas, ou não ganha e a questão da segunda volta coloca-se", é a justificação do secretário-geral, que rejeita que a candidatura do PCP venha para dividir a esquerda. "A profusão de candidaturas à esquerda é a proliferação de candidaturas na área do PS", ironizou Jerónimo depois do avanço de Defensor Moura.
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