Dezanove meses depois de ser nomeado enviado especial das Nações Unidas para o Saara Ocidental, Christopher Ross, retrata um cenário negro e pede ajuda às grandes potências, incluindo Espanha, para desbloquear as conversações de paz.
De acordo com a edição online do El País de hoje, Ross apelou a Marrocos para que discuta a proposta de referendo da Frente Polissário, tal como o movimento saraui se propôs a discutir, em fevereiro, a autonomia oferecida por Rabat para o território.
O enviado especial da ONU apelou ainda ao governo marroquino para que melhore o respeito pelos direitos humanos na antiga colónia espanhola.
Antes da sua visita, em princípios de julho, pelas cinco capitais do Grupo dos Amigos do Saara Ocidental - Washington, Paris, Madrid, Londres e Moscovo -, Christopher Ross enviou um documento secreto aos governos destes países, a que o El País teve acesso.
“O secretário geral [das Nações Unidas, Ban Ki-moon] e eu mesmo não podemos convencer as partes a abandonarem o seu apego implacável à mútua recusa das suas posições. Precisamos de um apoio específico do Conselho de Segurança [da ONU] e do Grupo de Amigos”, escreveu Ross, de acordo com o diário espanhol.
Todos os países do grupo são membros permanentes do Conselho de Segurança, exceto Espanha.
Para retomar o diálogo formal, a Frente Polissário exige que o reino marroquino aceite debater a proposta de convocar um referendo sobre a autodeterminação do povo saariano, que inclua a independência entre as opções.
Por outro lado, Marrocos insiste que a única saída realista para o conflito é a sua proposta de conceder uma ampla autonomia à ex-colónia espanhola, ocupada pelo reino desde 1975.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.




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