Famílias reagem ao aumento de IVA e abrandam no consumo
Publicado em 21 de Agosto de 2010
Segundo o Banco de Portugal, a economia está a crescer a um ritmo de 1,4%. Consumo abranda
O consumo, que representa cerca de 60% da economia portuguesa, está a abrandar há três meses consecutivos, diz o Banco de Portugal no relatório dos indicadores de conjuntura ontem divulgado. Cresceu 1,7% em Julho face a igual mês de 2009, valor que compara com o pico recente de 2,7%, registado em Abril.
O banco central repara, por exemplo, que houve uma queda mensal na compra de carros ligeiros, "potencialmente associada ao aumento da taxa de IVA registado em Julho de 2010".
O comportamento mais moderado das despesas em consumo das famílias estará também relacionado com a escalada do desemprego e com as maiores restrições dos bancos à concessão de crédito. A banca até empresta, mas a um preço (juro) muito mais caro.
O consumo foi o grande motor do crescimento da economia até ao início desta década. No entanto, esta expansão económica foi financiada a crédito bancário sem ser acompanhada de mais produtividade, de criação de melhores empresas e de mais poupança. Segundo mostra o Banco de Portugal, o abrandamento do consumo ainda não se reflecte num arrefecimento da actividade económica. Esta encontra-se relativa- mente apoiada nas exportações, não se sabe até que ponto, tendo em conta que os maiores parceiros da economia portuguesa (à excepção da Alemanha) estão em desaceleração pronunciada.
Como o i já escreveu, os prognósticos para a segunda metade do ano são mais sombrios, existindo inclusive o risco de nova recessão nos vários países do euro, devido aos planos de grande austeridade nas contas públicas combinados com a secagem do crédito. L. R. R.
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