Cinema

Más como as cobras. As dez maiores heroínas de acção - vídeo

por Luís Leal Miranda, Publicado em 18 de Agosto de 2010   
Angelina Jolie está de volta com "Salt" e entra no top ten das mulheres mais temíveis do cinema
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Situação hipotética: está preso num elevador. Se puder escolher como companhia para enfrentar uma situação destas qualquer celebridade, viva ou morta, quem escolheria? A viva, porque um morto não pode ser grande ajuda - apesar de, é verdade, um cadáver não consumir oxigénio. De entre as celebridades vivas, a escolha deve pender uma quantidade absurda de vezes para Angelina Jolie. Não há nenhum estudo de rigor científico sobre o tema, mas a intuição leva-nos a acreditar que a protagonista de "Salt" seja a companhia ideal para uma situação que mistura a) risco de vida b) tensão sexual.

Primeiro porque ao longo da sua carreira Jolie tem dado provas de uma desenvoltura em situações-limite superior a qualquer outra heroína do cinema - lembrar "Tomb Raider", por exemplo. Em "Salt", que estreia hoje, Jolie dá novamente provas de resistência, força, velocidade e outros adjectivos usados para descrever heróis de acção ou jipes num stand de usados. Descrito pelos media norte-americanos como "um ''Bourne'' com vagina" - o comentário soa machista e deselegante e por isso aqui chamamos-lhe "um ''Bourne'' de saias" - "Salt" conta a história de uma norte-americana que pode ou não ser uma agente do KGB infiltrada na CIA, que pode ou não fazer parte de um plano monstruoso para fazer voltar a Guerra Fria.

Inicialmente, o papel de Evelyn Salt foi pensado para Tom Cruise, o que faria de "Salt" mais um thriller de espionagem com um protagonista bem penteado. A troca do filme de acção de explosões e testosterona por um filme de acção cheio de explosões e estrogénio acrescentou interesse a uma história um bocadinho batida.

Quando estreou nos EUA, em Julho, "Salt" foi bem recebido, sobretudo numa altura do ano em que as pessoas vão ao cinema apenas pelo ar condicionado. O crítico do "Hollywood Reporter", Kirk Honeycutt, disse que "Salt" era "um filme tipo James Bond melhor do que muitos filmes de James Bond". A fita veio cimentar o lugar de Jolie como estrela de acção e objecto de desejo para uma estadia num ascensor, preso entre o terceiro e o quarto andar, na madrugada de um feriado, num prédio sem rede.

Leia amanhã a crítica a "Salt" no i

 

Ellen Ripley
Sigourney Weaver
Saga Alien

Antes de cuidar de animais em vias de extinção em “Avatar” e “Gorilas na Bruma”, Sigourney Weaver tratou da saúde de  extraterrestres com problemas odontológicos. “Alien” deu origem a três sequelas e tornou-se na série de terror mais lucrativa de sempre. Ellen Ripley foi uma das primeiras heroínas de acção em Hollywood e quebrou a barreira de género no cinema de terror – no qual a mulher era sempre a vítima que fugia do monstro a olhar para trás.

 

Beatrix Kiddo (The Bride)
Uma Thurman

Kill Bill 1 e 2

Uma loira vestida de cabedal com uma espada foge a tudo o que é estereótipo de filme de acção e artes marciais – e isso valeu a Beatrix Kiddo entrada directa para a lista de “100 melhores personagens de cinema de sempre”, da revista “Empire”. Quentin Tarantino é famoso por se desviar de lugares-comuns e consegue-o com Kiddo que antes de ser uma loira bem-parecida é uma guerreira temível. Na maior parte dos filmes de acção isto funciona ao contrário.

 

Lara Croft e Evelyn Salt
Angelina Jolie

Tomb Raider e Salt

Muitos jovens viram a sua adolescência marcada pelos seios pentagonais de Lara Croft nos primeiros videojogos de “Tomb Raider”. Mas melhor do que aguardar pelos progressos na tecnologia 3D e assistir a uma melhoria considerável da anatomia de Croft foi a adaptação do filme para o cinema. Angelina Jolie foi o casting perfeito e levou mais longe a influência do jogo que foi dos primeiros a terem uma mulher como protagonista.

 

Jackie Brown
Pam Grier

Jackie Brown

Quentin Tarantino de novo. O realizador norte-americano é famoso por trazer o underground para a cultura mainstream e com isso duplicar o número de estrangeirismos empregues numa frase. Também fez com que subgéneros série B, como os filmes blaxploitation, chegassem a grandes audiências. Foi o que aconteceu com “Foxy Brown”, que recuperou um género e revitalizou a carreira de Pam Grier.

 

Sarah Connor
Linda Hamilton

Terminator

Pouca gente sobreviveu tão bem às agruras das viagens no tempo como Sarah Connor. Só por causa disso a personagem interpretada por Linda Hamilton merece uma entrada nesta galeria de notáveis: é mãe do homem que no futuro vai salvar a humanidade e entretanto voltou ao passado. Enfim. Sarah Connor consegue também a proeza de aliar as responsabilidades da maternidade à vida difícil de exterminadora de robôs.

 

Alice
Milla Jovovich
Resident Evil
Antes dos zombies e vampiros estarem na moda já Alice andava a estoirar miolos no cinema. Estreado em 2002, “Resident Evil” era mais uma adaptação ao cinema de um clássico de terror e suspense que nasceu na PlayStation. Milla Jovovich, que já fizera de mártir em “Joana d’Arc”, é a heroína amnésica mais famosa do cinema e também uma das mais violentas. O canal VH1 chama-lhe “a detentora do trono de rainha da pancadaria”.

 

Alex Munday
Lucy Liu

Os Anjos de Charlie
A filmografia de Liu parece denunciar uma certa propensão para os filmes _de pouca conversa e muita acção: “Os Anjos de Charlie”, “Kill Bill” e “King Fu Panda” estão no currículo da actriz que, no entanto, já venceu _um Emmy como melhor actriz secundária na comédia _“Ally McBeal” – na qual fazia da viperina Ling Woo. O papel de má da fita no primeiro _“Kill Bill” valeu-lhe um MTV Movie Award na categoria de Melhor Vilã.

 

Trinity
Carrie-Anne Moss
The Matrix
Da série “The Matrix”, protagonizada pelo inexpressivo Keanu Reeves, Trinity é talvez a personagem mais memorável. Revendo os filmes estreados há dez anos, é divertido verificar como envelheceram tão mal: a tecnologia de ponta em telemóveis era um Nokia daqueles com tampa de deslizar que já não se fabricam; e o que dizer daqueles óculos escuros? Ainda assim, Trinity safa-se com uma elegância invulgar.

 

Barbarella
Jane Fonda
Barbarella
O que é que aconteceu ao subgénero “ficção científica erótica”? Nos seus tempos áureos houve Barbarella, uma astronauta com a missão de salvar o mundo do maléfico Durand Durand. Para o fazer tinha de seduzir os inimigos _e ultrapassar obstáculos com nomes tão criativos como _“Ex-sex-sive Machine”. Um fracasso de bilheteira na altura (1968), tornou-se um filme de culto, transformou Barbarella num ícone das feministas e Jane Fonda num sex symbol.

 

Joaninha
Paula Mora
Duarte & Companhia
A secretária de “Duarte & Companhia” tinha outras competências para além _da estenografia e da gestão do economato. Sabia artes marciais e guardava pedras na mala que levava a tiracolo e não tinha problemas em atirar à cara de todos os malfeitores. Foi a primeira _e única heroína da ficção portuguesa dos anos 80 e uma inspiração para todas as escriturárias nacionais. Hoje _é instrutora de ioga e estuda Psicologia.



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