A Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa (AMTL) está no papel principalmente por falta de poder e de dinheiro, segundo vários especialistas ouvidos pela Lusa.
O presidente da Junta Metropolitana de Lisboa, Carlos Humberto (PCP), admite que a AMTL na “prática acabou por não passar do papel”, acrescentando que no primeiro ano de funcionamento do organismo ainda é “pouco visível a sua ação concreta”.
“Mas do que conhecemos do plano, dos objetivos, da estratégia, dos seus órgãos que a autoridade apresentou à junta é um caminho interessante. É preciso pô-lo em funcionamento e ter meios”, afirma o também presidente da Câmara do Barreiro.
Carlos Humberto lembra que este é um “processo complexo” e que nem todas as competências foram transferidas do Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT), tal como os meios financeiros.
Propostas concretas tem o vereador da área da mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa: um “bolo” para integrar verbas dos transportes escolares, contribuições de promotores imobiliários e a criação de uma entidade supra municipal.
Para Nunes da Silva, a AMTL não funcionará se “continuar a não ter dinheiro” nem “poder politico para concessionar serviços de transporte e reapreciar as concessões existentes”.
O vereador lembra o “muito dinheiro a circular” com serviços como o “porta a porta” ou transportes escolares, verbas que podiam ser “canalizadas para um bolo” e geridas de “forma integrada e global”.
Também as taxas de urbanização poderiam contribuir, ou seja, partes do valor de portagens, dos impostos sobre os combustíveis e sobre os veículos.
O autarca afirma que a AMTL é o “somatório” de 18 presidentes de câmara, que defendem os seus municípios.
“Só há duas soluções: ou se cria um nível intermédio supra municipal ou se faz um sistema híbrido em que as pessoas mandam em função daquilo que pagam”, defende.
O professor da faculdade de Direito de Coimbra, Lícinio Lopes Martins sublinha as várias “sobreposições” no setor dos transportes, que por vezes são “protocoladas” mesmo quando estão em causa entidades estatais.
A AMTL é um “modelo complexo e de grande dificuldade da sua organização, o que complica o modelo de governação”.
O professor afirma que outra questão é definir um modelo “minimamente económico-financeiro sustentado”.
Contactados pela Lusa, o presidente da AMTL, Carlos Correia, adiou, para depois das férias, qualquer tipo de declaração e a secretaria de Estado dos Transportes não respondeu até à data.
A AMTL inclui os municípios de Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.
***Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




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