Política

Economia vai ser o mote para todas as críticas ao governo

Publicado em 14 de Agosto de 2010   
Festa do PSD no Algarve reúne 15 das 19 distritais. "É sinal de união em torno de Passos Coelho", diz Mendes Bota
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Os problemas da justiça, claro. E também o Estado Social, a Constituição, o desemprego e a necessidade de mobilizar os militantes em torno da criação de uma alternativa de governo para o país. Mas, sobretudo, a economia: ou, como ontem defendeu o vice-presidente do PSD, Diogo Leite Campos, a "estagnação" económica do país. Será este o ponto central do discurso de Pedro Passos Coelho, esta noite, na festa do Pontal, onde os sociais-democratas se reúnem para assinalar a sua rentrée política.

O crescimento de 0,2% na economia portuguesa, ontem divulgado pelo INE, vai servir de pretexto para o ataque que o líder do PSD hoje fará ao governo. "Se isto continua assim, a desconfiança em relação à Grécia vai--se instalar em relação a nós", defendeu ontem Leite Campos. Um exemplo da dramatização que os sociais-democratas vão acenar aos portugueses, sublinhando o facto de existirem "23 países na União Europeia que estão a crescer mais do que nós".

O discurso de Passos Coelho no Algarve vai lançar as bases do guião político social-democrata para os próximos meses. Um período que muitos acreditam ser a antecâmara da convocação de eleições legislativas antecipadas. Por isso, mais do que tentar descolar o rótulo de "neoliberalismo radical", que lhe foi colado pelo PS após a apresentação do projecto de revisão constitucional do PSD, o líder social-democrata deverá reforçar esta noite a ideia de "país sem rumo" devido à governação socialista.

"Vai ser um ano muito quente em termos políticos e os calores começam logo no Verão", ironiza o líder do PSD Algarve, Mendes Bota, responsável pela organização da Festa do Pontal. Convicto de que o recinto irá albergar mais de 3 mil militantes e apoiantes social-democratas, Mendes Bota vê, aliás, na festa desta noite "um sinal de que o partido está unido e que quer dar uma sólida demonstração de força e apoio ao seu líder". Sinal disso mesmo é o facto de "estarem representadas 15 das 19 distritais do PSD" na festa. No ano passado, ainda na presidência de Ferreira Leite e a cerca de um mês de eleições, só estiveram sete distritais em Quarteira.

"É preciso regressar aos anos 80 e à altura em que Cavaco Silva era líder do PSD e primeiro-ministro para me recordar de um ano em que houvesse tanto entusiasmo em volta desta festa", assinala Mendes Bota. E a explicação é simples: "Depois de anos de afastamento das direcções do PSD em relação ao Pontal, Passos Coelho aceitou imediatamente o nosso convite. É normal que tanto os militantes, como os meios de comunicação social e a oposição estejam de olhos postos no seu discurso, porque é a abertura do ano político."

Mendes Bota defende, de resto, que a noite de hoje vai "provar que estavam enganados os arautos que fizeram o funeral antecipado desta festa". "Era um crime destruir uma marca consolidada há 30 anos, com a capacidade única de reunir apoiantes de todo o país, a pretexto das férias de Verão no Algarve."


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