A Associação de Consumidores de Portugal (ACOP) insurgiu-se hoje contra um eventual aumento dos preços da água que seja definido "segundo um só barómetro: a ‘olhómetro’”, reclamando rigor no estabelecimento de novas tarifas.
“A ACOP exige, para um eventual aumento, que haja uma imposição séria no sentido de as empresas serem racionalmente estruturadas, com uma criteriosa contabilidade analítica, rejeitando categoricamente as fórmulas cegas e a composição dos preços segundo um só barómetro: a "olhómetro", sustenta em comunicado divulgado hoje em Coimbra.
A organização com sede em Coimbra reagia a um notícia publicada quinta feira pelo Diário de Notícias, que alude a uma recomendação que está a ser ultimada pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e que, caso venha a ser adotada, irá implicar um aumento das tarifas de consumo da água.
Segundo o jurista Mário Frota, membro fundador desta associação, eventuais alterações aos atuais tarifários só serão aceitáveis “se o consumidor tiver de pagar o preço justo, tendo em atenção uma contabilidade analítica fundada em rigor”.
“Não se admite que em relação a monopólios naturais, de facto, haja assessores e mais assessores pagos principescamente, com administrações faraónicas, menos ainda que empresas do jaez destas façam publicidade à tripa forra, patrocinem eventos mirabolantes aqui e além, constituam fundações, sejam mecenas em espetáculos caríssimos, paguem deslocações e cursos no exterior a ministros ou ex-ministros, como a que se anuncia agora do antigo titular da Economia que vai a expensas da EDP para os States, etc”, lê-se no comunicado.
A nota adianta que “só com uma gestão criteriosa é que se admite se reveja a composição do preço, mas num só sentido - o do rigor, o da racionalidade, o da exigência".
“É tudo feito sem qualquer responsabilidade e num sistema de navegação à vista. Os consumidores não estão a pagar água, estão a pagar folclores: quadros desajustados, conselhos de administração que não servem os interesses da empresa mas interesses económicos”, criticou Mário Frota.
Na sua perspetiva, é preciso “saber, em rigor, quanto custa um metro cúbico de água”.
O DN referia que, caso a recomendação da ERSAR seja adotada, “uma família com um consumo mensal da ordem dos 10 metros cúbicos deverá ficar a pagar 0,92 euros por metro cúbico, quando, atualmente, a fatura não vai além dos 0,65 euros nos casos em que o abastecimento é da responsabilidade de serviços municipais ou dos 0,77 euros no caso das tarifas cobradas pelas entidades gestoras dos serviços multimunicipais”.
"A ACOP estranha que não haja sido consultada pela entidade reguladora, conquanto se fale em consulta pública", adianta ainda a associação de consumidores.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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