BCE avisa: recuperação depende da procura e da robustez da banca

por Nuno Aguiar, Publicado em 13 de Agosto de 2010   
BCE alerta de que perspectivas no mercado laboral podem atenuar crescimento esperado para a zona euro
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Os avisos deixados pelo Banco Central Europeu (BCE) e a queda inesperada da produção industrial europeia, em Junho, lançaram ontem dúvidas sobre a sustentabilidade da retoma da economia europeia.

No boletim mensal de Agosto, o banco central explica ser necessário a existência de bancos mais saudáveis e um aumento da procura privada. "A sustentabilidade da recuperação comercial global, e na zona euro, dependerá criticamente de um fortalecimento da procura privada, mas também da robustez e saúde do sistema financeiro global", pode ler-se no documento.

O crescimento da economia europeia este ano foi suportado essencialmente pela capacidade exportadora da Alemanha, que anulou as dificuldades dos países do Sul da Europa, como Portugal, que tiveram de lidar com planos de austeridade que limitaram o crescimento.

O BCE avisou ainda que grande parte da recuperação do comércio, no último ano, foi conseguida através da reestruturação de stocks e a medidas de estímulo temporárias promovidas pelos governos europeus, como é o caso dos incentivos ao abate para a indústria automóvel. O problema é que esses incentivos começam agora a esgotar-se, o que poderá estrangular algumas economias. Um cenário já antecipado por alguns economistas. Os especialistas estimam que as condições económicas se vão tornando cada vez mais duras à medida que 2010 se aproxime do fim, com o diluir das medidas de estímulo e a contracção provocada pelos planos de austeridade.

O aviso da instituição liderada por Jean Claude-Trichet surge no mesmo dia em que o Eurostat divulgou dados inesperados sobre a produção industrial na zona euro. Depois de quatro meses a subir, e com os economistas a preverem uma subida de 0,6%, a produção industrial na zona euro sofreu uma queda de 0,1% em Junho, segundo os dados do gabinete de estatística da zona euro.

Ainda assim, o BCE prevê que que a zona euro cresça mais do que o esperado nos próximos meses. E os indicadores já disponíveis apontam para "um fortalecimento da actividade económica no segundo trimestre de 2010" e os dados do terceiro trimestre superam as expectativas. Porém, o BCE considera que "neste momento de incerteza" o ritmo de crescimento da economia da zona euro deverá ser ainda "moderado e desigual".

O banco central admite também que estas perspectivas de crescimento sejam atenuadas pelo processo de equilíbrio dos balanços em vários sectores da economia e pelas perspectivas mais negativas em relação ao mercado de trabalho. O BCE reviu em alta as estimativas de desemprego para este ano (de 9,9% para 10,1%) e para 2011 (de 10,1% para 10,2%).

O BCE defendeu ainda que os próximos orçamentos devem trazer medidas "centradas no lado da despesa", com o objectivo de corrigir desequilíbrios, avisando que podem ser necessárias medidas mais ambiciosas do que aquelas que já foram assumidas pelos países europeus.

Um desses casos deverá ser Espanha. José Manuel Gonzalez-Paramo, membro do quadro executivo do BCE, afirmou ontem à Europa Press que Madrid terá de aprovar novas medidas de austeridade em 2011, recomendando que o governo espanhol não se entusiasme com as perspectivas de crescimento mais optimistas que poderão não se concretizar.


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