Incêndios
Associação de Protecção Civil arrasa prevenção e operações
Publicado em 12 de Agosto de 2010
Mais de 35 hectares ardidos nos últimos dois meses levantam velhas questões: prevenção e operacionalidade.
O presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Protecção Civil (AsproCivil), Ricardo Ribeiro acusa os responsáveis políticos pelo combate aos fogos florestais de não promover a prevenção e de falhas da operacionalidade no terreno.
Os últimos dados do Ministério da Agricultura que dão conta de 19.347 hectares ardidos até 31 de Julho, ainda antes de alguns dos maiores incêndios que lavraram nestes primeiros 12 dias de Agosto. Segundo o Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais (EFFIS), só no mês se Agosto arderam cerca de 18 mil hectares.
O que quer dizer que até agora, arderam em portugal cerca de 37 mil hectares desde o início do ano. O que equivale a mais de quatro cidades de Lisboa. E se, as contas forem feitas de desde o ano 2000, arderam em Portugal 1,5 milhões de hectares em cerca de 9 milhões do território nacional: o equivalente a mais de metade do Alentejo.
As contas negras são expectáveis para Ricardo Ribeiro que garante que em alguns fogos "ninguém entende as cadeias de comando". O presidente da AsproCivil diz que o Governo acabou com os comandantes de zona na Protecção Civil para instituir um comandante operacional municipal. "Agora como menos de 20 por cento das autarquias nomeou um comandante, há descordenação no terreno", sustenta.
Outra crítica de Ricardo Ribeiro é a inexistência de planos de emergência, ou antes "de todas as autarquias, entre 15 e 20 têm as actualizações do plano de mergência aprovadas".
A razão dos fogos deste ano passam, segundo o dirigente, em grande medida, pela prevenção. O ano foi chuvoso o que levou ao crescimento de mais mato o que representa mais combustível na altura dos incêndios. Ricardo Ribeiro refere que a lei obriga a que as autarquias se substituam aos privados no caso do incumprimento da limpesa das áreas. O que, segundo o responsável, "não acontece".
Mais. Para Ricardo Ribeiro, a falta de dinheiro não explica a situação porque o Quadro de Referencia Estratégico Nacional (QREN) dispõem de verbas, na Gestão do Espaço Florestal e Agro-florestal para acções como a Defesa da floresta contra incêndios, "quase não foram usadas pelas autarquias ou associações de proprietários florestais".
Outra questão importante para a associação, no âmbito da prevenção, é a abertura de asseiros (caminhos de aceso) e pontos de água para que os abastecimentos se façam sem demora.
Para a AsproCivil o mais importante é a responsabilização dos proprietários, associações de Proprietários, câmaras municipais e o próprio Estado.
Augusto Freitas de Sousa
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