Política

Narciso queixa-se de não ter sido ouvido antes da expulsão

Publicado em 12 de Agosto de 2010   
Menos 100 militantes no PS. O pacote de expulsões chegou ao antigo autarca-modelo, em queda no partido depois da morte de Sousa Franco
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A estrela de Narciso Miranda caiu depois da horrível manhã de Junho de 2004, na lota de Matosinhos. Era para ser uma sessão de campanha & peixeiras - uma velha especialidade do antigo presidente da câmara, sempre pronta a servir a todos os líderes do PS - e acabou numa tragédia sem proporções. O número um da lista do PS ao Parlamento Europeu, António Sousa Franco, morreu de ataque cardíaco depois de ter sido apanhado numa guerra entre apoiantes das duas facções locais. Narciso Miranda estava à frente de uma, Manuel Seabra, de outra.

A expulsão de ontem foi o final de uma carreira no PS que, depois do caso da lota, remeteu o antigo homem-forte do Porto à obscuridade. Os dois, Narciso e Seabra, foram impedidos de se candidatarem a Matosinhos nas eleições autárquicas seguintes e censurados pelo partido, na sequência de um inquérito. José Sócrates, que entretanto foi eleito líder do PS, não quis nenhum dos dois na Comissão Nacional. O apoio de Narciso Miranda, outrora disputado nas eleições internas, tinha deixado de valer um avo. Manuel Seabra dedica-se à advocacia, mas depois de um período de penumbra, recupera a estrela: actualmente, é deputado eleito pelo Porto, depois de um passagem pelo gabinete de António Costa na Câmara de Lisboa. Narciso prontifica-se para se candidatar à Câmara de Matosinhos nas últimas autárquicas, mas Renato Sampaio, o presidente do PS-Porto, recusa e Narciso decide avançar com a candidatura independente - a marca "Matosinhos sempre" elege quatro vereadores, apenas menos um do que o PS, e obrigará o presidente da câmara reeleito, Guilherme Pinto, a fazer um entendimento com o PSD.

Narciso Miranda insiste que foi expulso sem ter sido ouvido pelo partido, nem sequer notificado e que o processo "é kafkiano, estalinista e de purga", como escreveu ontem na sua página no Facebook. Para o presidente da Comissão de Jurisdição, Ramos Preto, concorrer em listas contrárias às do partido "está claramente consagrado nos Estatutos como falta grave", assim como "apoiar expressamente listas contrárias à orientação definida pelos órgãos competentes do partido, inclusive nos actos eleitorais em que o PS não se faça representar".

Apoiante de Alegre e Seguro Narciso não tem poupado Sócrates nos últimos tempos. É apoiante fervoroso de Manuel Alegre e são variados os elogios que faz a António José Seguro: "Está aberto o debate do PS pós-Sócrates. António José Seguro representa o futuro do PS, deste PS funalizado, adormecido personalizado", escreveu em Maio passado.

Quem também Narciso Miranda apoia é José Luís Carneiro, o homem que vai tentar destronar Renato Sampaio, um dos homens-fortes da presidência do PS-Porto. Nas eleições, marcadas para Outubro, tudo indica que José Luís Carneiro acabou de perder muitos votos. Ao todo, o PS decidiu expulsar cerca de 100 militantes do Porto, Bragança e Coimbra.


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