Cortes na educação. Governo põe fim ao "escola móvel"

Publicado em 11 de Agosto de 2010   
Pais pediram reunião com Isabel Alçada. Governo promete regulamento para hoje
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"Fico uma semana em cada sítio... Ela vai ter de mudar de escola a cada semana?" À pergunta de Leslie Jackson, artista de circo, o Ministério da Educação (ME) responde que sim. No próximo ano lectivo os filhos de trabalhadores itinerantes vão deixar de ter ensino à distância. O ministério decidiu esta semana acabar com o projecto "escola móvel", que acolhia mais de 100 alunos.

Os filhos destes profissionais vão passar a frequentar as escolas das localidades onde os pais trabalham. Seja por uma semana, seja por um mês. É um regresso ao que acontecia antes de 2005.

Mas os pais e encarregados de educação não querem esse regresso ao passado e já pediram uma reunião de urgência com a ministra da Educação. "Já tive uma filha que teve de desistir da escola porque não conseguia acompanhar a matéria. Agora não sei o que fazer com a minha filha mais nova que era a melhor aluna do ano dela." Leslie Jackson queixa-se por não saber se a filha de 12 anos pode continuar a estudar. O governo garante que os alunos serão acompanhados por uma equipa da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular. Contactado pelo i, o ME não prestou mais esclarecimentos, prometendo uma portaria que regulamente o novo regime ainda hoje.

SMS Os pais souberam da decisão do governo por mensagem (SMS) e a um mês do início das aulas. Os alunos vão agora ser matriculados na última escola que frequentaram. A tarefa pode ser complicada com a aproximação do início do ano lectivo: "A minha filha frequentou a Escola Vasco da Gama. Se calhar já não tem vagas", diz Leslie.

Maximiliano Luftman tem o mesmo problema mas a triplicar. O artista de circo tem três filhos a estudar através do projecto pedagógico de e-learning e b-learning e vai sair do país: "Com o programa eles podiam continuar a seguir a escola portuguesa, assim vai ser complicado."

À caixa de email do ME chegaram vários pedidos para que o projecto em parceria com a Vodafone não termine. Ao i, Luísa Pestana, da Fundação Vodafone, garantiu que para "este ano ainda não tinham sido iniciadas diligências para uma eventual continuidade da parceria". Desde 2005, esta fundação investiu cerca de 350 mil euros no apoio ao projecto, ainda em fase experimental e que ia ser alvo de avaliação no final do ano. O ME justificou a opção com a necessidade de "optimização de recursos docentes".

Oposição Tanto o CDS como o BE já questionaram o governo sobre suspensão do programa. Para a deputada do BE, Catarina Martins, "não faz sentido acabar com um projecto que estava a estancar o abandono escolar", acrescentando que se trata apenas de "um corte cego" que retira a estes alunos "o direito à escolaridade". Também o CDS é contra o fim do projecto. Michael Seufert, deputado, desconfia do argumento dos custos: "Estas crianças não custavam nada em termos de alimentação escolar ou outros custos, porque não permaneciam nos edifícios." Por isso, "parece-nos descabido e desleal", diz o centrista.


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