Ficção

Cinco crimes exemplares. Cinco mini-romances

Publicado em 07 de Agosto de 2010   
Não é por falta de matéria-prima que não temos em Portugal uma réplica da vaga de policiais nórdicos. Para um país de brandos costumes, Portugal produz uma quantidade inusitada de crimes macabros. A realidade fornece aos romancistas pasto suficiente para centenas de livros. Este foi o ponto de partida para pedirmos a cinco escritores que escrevessem um trecho de um romance imaginário sobre um crime real português - a excepção foi a transatlântica Mónica Marques, que, por viver no Brasil, preferiu um crime a sul do Equador. As escolhas reflectem a dimensão da oferta: do político ao passional, do Alentejo dos anos 50 ao Brasil do século xxi, os autores lusos não têm de que se queixar. Podem dar férias à imaginação enquanto se entretêm a retocar a realidade, tantas vezes mais inverosímil que a ficção
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Relato do agente Olívia,

de Francisco José Viegas

 

Um capítulo de um livro inédito que revisita o inquérito que ficou conhecido como do "Estripador de Lisboa"

 

O quarto cadáver demorou dois dias a ser encontrado mas era previsível que aparecesse daquela forma - já a iniciar a decomposição, como um farrapo abandonado. Também era uma mulher e o inspector olhou para mim e disse-me que era melhor chamar os peritos, um nome que damos aos comparsas, que é, por seu lado, o nome que damos a uma equipa que transporta o ácido sulfúrico com que elimina os cadáveres incómodos sem deixar rasto. Eu costumo dizer isso, mas não é verdade: nós temos o dever de conservar os cadáveres, de lhes dar um destino e de explicar o seu aparecimento. Ninguém traz ácido sulfúrico, ninguém faz desaparecer cadáveres incómodos, pelo menos na nossa profissão. Na verdade, nós fazemos aparecer cadáveres. A equipa com que eu trabalho é uma espécie de fábrica de mortos; não teríamos sentido se não fossem eles; não teríamos trabalho se as pessoas não se matassem; não existiríamos se não houvesse cadáveres; finalmente, não seríamos tão odiados se não houvesse fabricantes de cadáveres. Isso é uma explicação de que toda a gente desconfia e, nestas condições, é melhor contar as coisas desde o princípio. Mas o princípio é apenas o primeiro cadáver a que se junta o segundo, depois o terceiro e, finalmente, o quarto. Há-de aparecer o quinto, um dia, mas é só uma suposição.

O homem a quem o médico chamara inspector levantou-se e ficou uns instantes a sacudir as pernas, olhando para a paisagem como se o Sol já se tivesse escondido atrás das montanhas. Havia uma mistura de cinza e azul sobre as colinas que desciam para a estrada que se via daquele barracão onde o lixo convivia com a manhã de Lisboa. A única coisa em desacordo com a paisagem era aquele corpo. O primeiro cadáver do dia, pensei, enquanto fechava o bloco de apontamentos em que tinha escrito muito pouco - apenas a hora a que tínhamos chegado, "10h35", e a hora a que o médico legista apareceu, "10h57". A princípio custa bastante ser meticulosa, mas depois é um hábito, à medida que os cadáveres aparecem e desaparecem. Geralmente aparecem, sobretudo se há alguém que gosta de retalhar mulheres, de lhes retirar as vísceras e de imitar Jack, o Estripador. Até agora, quatro mulheres mortas e preparadas para o catálogo - vísceras arrancadas, nada de vestígios de sexo, apenas um corpo retalhado e um rosto irreconhecível. O que aprendemos antes de entrar na brigada nunca nos convence de que as coisas são mesmo assim; primeiro o espectáculo, depois o cheiro, depois o torpor, finalmente a estatística. Quatro mulheres. O homem a quem o médico chamara inspector limitou-se a olhar em frente:

"Ainda não chegámos ao fim. Vai haver outro."

"Como sabe?"

"Está escrito."

Era um homem com ar cansado e ligeiramente ensonado, baixo, com uma calvície dianteira incipiente, e estava vestido como se fosse domingo de Páscoa. O livro continuava a persegui-lo: "O Estripador de Lisboa", de Luís Campos. Uns anos depois, os cadáveres descritos no livro apareciam-lhe na vida real. Um a um. Eu entrei a meio, como uma aprendiz. Ao fim de uma semana, o inspector deixou-me uma cópia do livro e apresentou-me ao médico que acompanhava o inquérito. Olhei para ele, para o médico, que guardou a tesoura, fechou a mala e acendeu um cigarro enquanto pontapeava uma pinha velha que sobrara do Outono anterior. Ou de outro qualquer.

"Veremos como chega a próxima", disse ele. Todos sabíamos que ia chegar.

 

Um papelinho mal dobrado

de V. M. Barreto

O inspector Serôdio e as suas indagações sobre Zé Borrego, o único serial killer português

 

Excertos de “Raciocínio Lógico-Dedutivo para Todos”, edição de autor do inspector Serôdio sobre uma lista de mercearia tomada por bilhete suicida do homem que, por alegada instrução de Nossa Senhora, veio matar “os maricas da capital”.


Segui o “caso Zé Borrego” em horário pós-laboral, quando me encontrava no auge da minha capacidade lógico-dedutiva. Ele dizia obedecer a uma voz divina. Quem ler a minha obra passará a obedecer apenas à voz da sua própria razão [da badana].


Em 1973, o meu rigor lógico afastara-me dos colegas, mas quem pensa bem enfrenta a solidão com a certeza de um reconhecimento póstumo. Ninguém corroborou a minha tese de que o papelinho mal dobrado era um bilhete suicida, preferindo-se a interpretação de que seria uma lista de mercearia (ver “A falácia da parcimónia”). Lendo o papel (“Barbante, Patxóli [sic], Sabão azul e branco, Clorofórmio, Cutelo”), é difícil não pensar numa encomenda. Não é porém certo que Borrego amarrasse as suas vítimas ou as adormecesse com a almofada encharcada em solvente orgânico, e depois as esquartejasse, esfregasse o soalho com afinco, saindo da pensão carregado de sacos de plástico que atirava para junto de rios apropriadamente lúgubres, como o Trancão de Sacavém. O que me pôs alerta foi o Patchouli (ver “Quando Deus faz morse pelo fio de Ariadne”) e, apesar da recusa instintiva de associar aquele homem ao meu avô, um grande consumidor da fragrância, pelo meu método (ver “A exclusão ponderada das partes”) concluí que o beirão rude e corpulento não era homem de se perfumar para seduzir. O bilhete anunciaria antes a intenção de purificar um corpo incapaz de se libertar de um cheiro a cadáver. Naturalmente, num país de analfabetos um bilhete suicida é uma hipótese rebuscada e no departamento não havia criptologistas, apenas um velho adepto da numerologia, com a tese concorrente de que Borrego tinha uma crendice imbecil mas calculava raízes cúbicas de cabeça e seria um idiot savant. Enfim, queixo-me menos dos meios que da falta de vontade [do prefácio do autor].


Em resumo, para que a pancada que levou na prisão não viesse a dar-lhe o estatuto de vítima, o mercantilismo de um futuro próximo mais consciente da homofobia não transformasse a sua autobiografia num bestseller estival, e a sua sentença a todos não parecesse sempre tão leve, Borrego fez o que se esperava dele: justiça pelas próprias mãos, embora para cinco estrangulamentos um suicídio ao primeiro ensaio fosse curto cúmulo jurídico e reclamasse quatro tentativas frustradas – umas em que o nó da forca se desenlaçasse, outras em que banquinho voltasse ao lugar, interrompendo a agonia física e acentuando a angústia.


Como a ninguém interessou depois saber o que tinha este homem a dizer, reduziram as suas últimas palavras a uma lista de compras. Se guardei para o livro e nele demorei a revelação dessa mensagem, apenas me moveu a promoção do raciocínio lógico-dedutivo e justifico o suspense com a necessidade de assegurar o pagamento de algumas despesas fixas [do último capítulo].

 

Baseado em “A história de Zé Borrego, o único assassino em série português”, de J. B. Amaro (Público, 22/07/2010)

 

Notas para um romance negro

de Hugo Gonçalves

 

To: hugogns@gmail.com

Subject: Homicídio de Artur Esteves

 

Caro senhor Hugo Gonçalves,
Este será o último email. Nesta cidade desconhecem que fui segurança numa discoteca para bichas. Sou casado. Não quero voltar a falar deste assunto. O seu livro não me interessa.
Registei o seu comentário sobre a minha homofobia e quero dizer-lhe que, para quem escolheu o ofício de jornalista, que exige imparcialidade, o senhor faz demasiados juízos sem ter a mínima ideia do que é ser um rapaz do Minho, educado por uma mãe beata e viúva, um rapaz com sonhos de estrelato, que acabou a trabalhar como segurança numa cave do Príncipe Real, rodeado de homens em tronco nu, descontrolados por causa das pastilhas, da coca, do mdma. Visite o Trumps, ponha a sua heterossexualidade tolerante a jeito, e depois diga-me o que sente quando olham para si como se o quisessem pôr de gatas numa cama de pensão.


Perguntou-me sobre as viagens do Artur, a Cuba. Posso apenas recordar a maledicência entre os empregados da discoteca. Dizia-se que o patrão, como tantos outros europeus, visitava a ilha por causa do calor do sexo fácil. Um jantar ou um perfume são suficientes para comprar a dignidade de muitos cubanos. Também há quem diga (leia os jornais da altura do homicídio) que o Artur, homem discreto e poupado, apenas queria praia, férias e que, em vez de prostituição masculina, procurava ajudar aqueles que queriam fugir da ilha. Lembro-me de um casal cubano – homem e mulher – que passou por Lisboa. Dizia-se que Artur lhes tinha pago o visto de saída.


Esqueça Havana e concentre-se no verdadeiro móbil do crime: um homossexual de armário, com mulher e filha, que acreditava que extorquir o Artur era a melhor maneira de sustentar a família. 
O Artur tinha um namorado, mas havia demasiadas tentações: rapazes depilados que dançavam no Trumps e que cobiçavam os carros do empresário da noite gay, miúdos que se imaginavam na casa do Meco, onde Artur só levava os melhores amigos, putos que queriam sair do anonimato e escapar de um quarto alugado. Eu sempre trabalhei, fiz-me à vida, nunca me meti a trocar sms para combinar engates a fim de chantagear homens a caminho da terceira idade.


Mas essa parte o senhor deve conhecer (às vezes julgo que não fez os trabalhos de casa). O Artur tinha trocado uns sms com o homicida. Parece que se tinham encontrado algumas vezes, até que, naquela tarde, quando Artur regressava do Meco, o pulha esperava junto do prédio. Já no apartamento, terá pedido dinheiro e, perante a recusa, pegou num jarro ou num vaso ou coisa do género e, pelas costas, atacou a cabeça do Artur.


E é isso que me mete mais nojo. Como se pode deixar alguém a sangrar para roubar uma casa? Um homem com princípios não mata pelas costas, não mata por dinheiro. Por isso pare de me fazer perguntas. O tipo foi preso, Artur está morto, as bichas continuam a dançar no Trumps. O seu livro não vai mudar nada.


Não quero a glória nem o lixo dos seres humanos que habitam a noite nem os seus emails inquisitivos. Deixe de escrever-me. Sou hoje uma pessoa pacificada e detestaria ter de lhe partir um braço se, por acaso, visitar Lisboa, essa cidade de paneleiros estilizados, escritores menores e jornalistas sanguessugas.


Com os melhores cumprimentos,
X

 

Catarina, 1954

de João Tordo

 

Uma conversa com um homem que sabe a verdadeira história da morte de Catarina Eufémia

 

“O exame pericial, a autópsia, os testemunhos… A história, a verdadeira, se tal coisa existe. Tudo isso veio mais tarde, muito mais tarde”, disse o velho, esfregando as mãos grossas e calejadas uma na noutra. Depois acendeu um cigarro.
“Quer dizer que não há uma versão oficial dos acontecimentos?”
“Nunca houve”, respondeu. “No mesmo minuto em que foi assassinada transformou-se em lenda. E a culpa foi do regime, sabe? A culpa foi toda dos fachos. Depois de o idiota do Carrajola a encher de balas, nenhuma notícia conseguia acertar sequer com os nomes. A censura deu conta do recado, pois deu, jovem. Ajudou a confundir tudo e a fazer nascer aquilo que eles não queriam que nascesse: um mártir. Nos jornais chamaram-lhe vários nomes. Maria da Graça, Efigénia Sabino… Havia notícias com o nome da vítima certo e o nome do assassino errado; havia notícias com o nome da vítima errado e o nome do assassino certo. Ninguém acertou, nem ‘O Século’, nem o ‘Diário de Lisboa’.” Riu-se. “Por causa dos fachos”, repetiu.
O homem pigarreou e bateu com a ponta do cigarro no cinzeiro. Lá fora a chuva continuava a cair sem piedade, fustigando as ruas, que se derramavam de água e sujidade.
“Como é que soube o nome dela, então?”, perguntei, fazendo sinal ao empregado sonolento, que, encostado ao balcão, olhava melancolicamente pela janela.
Ele sorriu e agitou as mãos inquietas. “Eu era do partido, jovem. Estava prestes a entrar para a clandestinidade quando o caso aconteceu. Nesse tempo trabalhava na ‘Capital’ e consegui manipular a notícia. A censura, ao tentar confundir os factos para que não surgissem intactos, acabou ela própria confusa. Não houve lápis azul na nossa página, e apareceu lá escrito, com todas as letras, que uma camponesa de Baleizão tinha sido morta a tiro por um tenente da GNR durante uma revolta por melhores jornas.”
Havia uma secreta satisfação nos olhos dele ao dizer aquelas palavras. O empregado aproximou-se e eu pedi outro café; o meu companheiro fez sinal por novo whisky.
“Ajuda a conservar”, justificou, apagando o cigarro.
 “Mas depois houve uma série de enganos”, adiantei. “Quero dizer, há tanta coisa na história que não bate certo...”
“Como é evidente, jovem”, disse ele. “Mas há alguma história neste mundo que esteja bem contada?”
“Presumo que não.”
“Vai-me falar da gravidez novamente, não vai?”, perguntou, com ar de enfado. O empregado aproximou-se e pousou um café e novo copo de whisky na mesa; os olhos do velho arregalaram-se.
“Não”, repliquei. “Nem lhe vou falar da velha questão da militância comunista.”
Ele deu um gole demorado na bebida, mordeu os lábios e puxou do maço de cigarros do bolso da camisa.
“Então?”
“Tem a ver com o momento da morte”, respondi. “O momento em que foi baleada pelo Carrajola.” O velho acendeu outro cigarro. “Disse-me que ela se levantou do chão depois da bofetada do tenente e que o enfrentou.”
“Pois, pois”, respondeu. “Foi como escrevi nessa altura, jovem. Ela disse ao Carrajola: Já agora, mate-me.”
“Tenho dúvidas de que as coisas se tenham passado assim.”
Ele franziu o sobrolho; durante alguns momentos o som da chuva pareceu entrar no restaurante, como se chovesse sobre aquela mesa que nos separava. “Porquê?”, perguntou.
Respirei fundo. “Vou explicar-lhe então”, disse, e também eu acendi um cigarro.

 

Luvas de sangue,

de Mónica Marques

 

“Cê vai me livrar dessa, mermão?” As deambulações de Bruno para se ver livre da sua “Maria Chuteira”

 

Todo o homem já pensou um dia em matar sua esposa. Eu já pensei em matar a minha, que só serve pra gastar meu dinheiro em merda, mas o pensamento foi errado. Eu tenho é que desovar esta vagabunda da Eliza. Onde é que eu estava com a cabeça, Macarrão, quando fui naquele antro caçar essa Maria Chuteira? Homem pensa com o pinto, é um facto, e essa mulher parecia feita na China, cabelo escovado, pele lisinha, peitos de silicone, um decote de enlouquecer qualquer um, até eu, acostumado a essa maravilha que são as meninas dos bacanais lá de Vila Mimosa. Me ajuda aí mermão, o que é que eu faço agora com ela e com o menino? Minha esposa tá me azucrinando a cabeça, a mulher não pára de falar que não tem como pagar pensão praputa e eu também não quero pagar pensão pra garota de programa se montar na grana. Imagina, vou ter que comprar um apêpra ela, um carro zerinho, depois ela ainda vai querer um apê maior e eu não quero ela nem esse menino. Cadê o Bola? Cê viu o Bola, Macarrão? Cê vai me livrar dessa, mermão? Onde anda o Bola? O Bola ia saber onde desovar essa piranha louca. Ela me falou um dia que detestava a eternidade, tem jeito isso?, alguém vai detestar a eternidade? Eu quero ser é eterno, à prova de penalty e de bala, também. Só andava me sentindo meio burro e entediado e por isso comecei a visitar a Eliza pra conversar sobre o mundo e depois foder ela. Não sou um cara estruturado, caguei, tenho os dentes mais brancos de todo o time do Flamengo, isso eu tenho. Meu conhecimento é meio anárquico, mas tem uma turma que pensa como eu. Cê perdeu, Eliza, tem a torcida do Flamengo toda gritando por mim, tem minha mulher gritando por mim e me querendo a mim e a meu Range Rover importado e tem um montão de coisas que o dinheiro compra e eu compro porque nasci pobre e não tenho saudade de quando eu era pobre. Saudade da favela só o fodão do Adriano tem. Onde já se viu deixar a Itália para voltar pro Vidigal? Tudo bem que lá no Vidigal a gente tem a vista, mas o resto é uma merda. Eu posso, eu quero, eu mando e já decidi. Cê perdeu vagaba. Cadê você Macarrão? Te dou cinco mil e você trata dela e do menino. Pega ela, leva pro Sítio lá em Minas. Tá ouvindo, cara? Ninguém precisa saber de nada. Eu não vou dar nada pra ela, nem pra ninguém. Em dinheiro meu ninguém vai meter a mão. Dá uma paulada nela, mas dessa vez com mais força, tá? Tem que acabar com essa vagabunda de uma vez por todas, dar a lição da tal eternidade pra ela. Cadê o Bola? Chama o Bola, cara. Eu te digo o que você vai fazer com o corpo, depois. Já leu livro policial? Não? Não precisa. Fala com os traficantes lá do Morro.  Eu pago pra todo o mundo e fico lá tomando umas até vocês terminarem de desossar ela. É. A gente vai-se livrar do corpo da piranha, só tem que desossar e dar pros cachorros comerem. Eu amo aqueles dois. Amo mesmo. Já imaginou coisa mais linda?  Meus Rottweilers se deliciando com as mãozinhas dela? Vai. Pega ela, amigo é pra isso mesmo, né não? Prepara tudo e não esquece da cerveja.

 

 



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