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"Triplo homicídio de três jovens"?

por Mário Pinto, Publicado em 06 de Agosto de 2010   
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EM JEITO DE COMPLEMENTO e explicitação do afirmado no texto precedente (restrições de espaço obligent) acerca do medialecto, cuja existência é já indissimulável (porque omnipresente) importa sublinhar que, como Gérard Genette refere, se na essência este poderia ser apenas um "jargão profissional", um "idiotismo do ofício", acaba por se traduzir num "abuso do solecismo valorizante". Variante linguística da lei de Gresham, em que "a má língua expulsa a boa". E que, ao difundi-lo, os media erigem em "espelho e modelo da subcultura dominante", tornando-o "pouco a pouco a língua de trapos de todos".

Resultado imediato desta proclividade para o rebaixamento da linguagem é sermos induzidos a pensar estarem hoje as palavras, tão estocástica é a sua utilização, atingidas de anemia semântica. E, dada a debilidade a que chegaram, terem ficado privadas do seu sistema imunitário, tornando-se, ipso facto, presa fácil de outras enfermidades em que pontificam a arteriosclerose sintáctica e a tetraplegia estilística.

Statu quo de que não escasseiem os exemplos corroborantes. Detenhamo-nos neste, tão recente quão elucidativo, que constava das edições em linha (22/07) do "DN", "JN", "Público", "Expresso" e "Sol": "prisão preventiva do suspeito do triplo homicídio de três jovens".

Que deplorar mais?, a prosa charra da agência que difunde o texto ou a negligência dos jornais que se limitaram a reproduzir maquinalmente o produto adulterado que chegou às suas redacções?

De realçar as duas excepções que, tendo detectado o erro, o contornaram: o i e o "CM".

Docente da Universidade Fernando Pessoa

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