Casa Pia: advogado de Carlos Cruz "ofendido" com posição de juiz

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 05 de Agosto de 2010   
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O advogado de Carlos Cruz sentiu-se “ofendido" com um juiz do processo Casa Pia que hoje considerou ter sido aberta “mais uma batalha jurídica” com a entrega de novos requerimentos por parte da defesa dos arguidos.

No final da audiência em que o magistrado Lopes Barata disse ser previsível mais um adiamento da leitura do acórdão, marcado para 03 de setembro, Ricardo Sá Fernandes afirmou sentir-se “pessoalmente atingido e ofendido”, acrescentando que a declaração do juiz é “inaceitável”.

Em contrapartida, o advogado das vítimas das Casa Pia Miguel Matias concordou com a posição tomada pelo juiz e disse que os requerimentos hoje apresentados, nomeadamente pela defesa de Manuel Abrantes, têm a intenção de “por em crise o acórdão final”.

“Este tipo de requerimentos vão claramente prejudicar o andamento do processo e não são compagináveis com o que se pretende, isto é, uma aceleração para que o ácordão seja lido na segunda feira”, disse no final da audiência.

O advogado considera que foi cometida uma “deslealdade para com o tribunal” e que “a arguição não faz qualquer sentido”, mostrando-se preocupado pela hipótese de mais um adiamento.

Por outro lado, o advogado do ex-provedor Manuel Abrantes não se sentiu lesado ou atingido pela posição do juiz.

“Não me senti minimamente beliscado pelas palavras, porque acho que a mim pessoalmente não se me dirigem””, disse Paulo Cunha e Sá aos jornalistas

“Eu não estou a elaborar acórdão nenhum. Os meus requerimentos foram motivados por um adiamento. Acho incompreensível [a posição do juiz], tal como acho incompreensível que se entenda que o processo seja de mediana complexidade”, referiu.

Contudo, para Paulo Sá e Cunha “todos os protagonistas do processo têm uma cota parte de responsabilidade na morosidade excessiva que o processo tem sofrido”, mas não aceita que "se possa dizer que o atraso na leitura de um acórdão se deva a diligências dos advogados”.

Hoje, o juiz Lopes Barata acusou os advogados de defesa de terem aberto "uma nova batalha jurídica" que pode adiar, mais uma vez, a leitura do acórdão, marcada para 03 de setembro.

"Foi aberta uma nova batalha jurídica no processo [...]. Em cada audiência [os advogados] têm reiteradamente suscitado irregularidades e nulidades a que não assistimos em nenhum outro processo no país", ditou Lopes Barata para a ata da audiência.

Os advogados dos arguidos do processo Casa Pia requereram hoje que o acórdão seja lido até segunda feira próxima para que o julgamento não venha a ser considerado nulo.

O advogado do arguido Manuel Abrantes foi o primeiro a requerer que todos os atos praticados durante a sessão de hoje sejam considerados irregulares.

Os advogados da defesa de Carlos Cruz, Ferreira Diniz, Carlos Silvino, Jorge Rito, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes aderiram ao requerimento.

A leitura do acórdão deste julgamento, a decorrer no Tribunal Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, já foi adiada duas vezes.

A leitura do acórdão do processo Casa Pia foi adiada de 09 de julho, a data inicial, para 05 de agosto, sendo novamente adiada para 03 de setembro próximo.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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