Exposição na Biblioteca Nacional evoca centenário do nascimento de Hugo Ribeiro

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 05 de Agosto de 2010   
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A Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) assinala o centenário do nascimento do matemático Hugo Ribeiro (1910-1988) com uma exposição que estará patente até ao final do mês.

A exposição integra fotografias do matemático, “um documento raríssimo, na medida em que tanto ele como a mulher, a cientista Maria do Pilar Ribeiro, eram pouco adeptos de fotografias”, disse à Lusa fonte da BNP. A mostra inclui ainda livros, cartas variadas e outros manuscritos autógrafos.

O espólio do matemático, doado à BNP pela viúva em janeiro de 2005, é constituído por cinco caixas de documentação e integra o Arquivo Cultura Portuguesa Contemporânea, disse a mesma fonte.

Segundo nota da BNP, Hugo Ribeiro foi um “matemático brilhante” que desde jovem se destacou numa disciplina que entre 1920 e 1940 teve “uma plêiade de estudiosos portugueses”, entre eles Bento de Jesus Caraça, Ruy Luís Gomes ou José Sebastião e Silva.

“Além de estudiosos que não encontraram em Portugal condições para a prática científica, o posicionamento da maioria deles contra o Estado Novo [1933-1974] obrigou a um verdadeiro exílio da inteligência em países estrangeiros”, lê-se na mesma nota.

Hugo Ribeiro frequentou o curso de Ciências Matemáticas da Faculdade de Ciências de Lisboa que concluiu em 1939, enquanto se dedicava a actividades de associativismo juvenil e a lições particulares.

Participou na União Cultural Mocidade Livre, que editou um jornal juvenil e promoveu conferências na Universidade Popular Portuguesa sob o patrocínio de Bento Caraça, e em iniciativas do Socorro Vermelho Internacional, tendo sido preso e “forçado a exilar-se na Espanha republicana”.

Regressado a Portugal, obteve uma bolsa do Instituto de Alta Cultura que o conduz à Escola Politécnica Federal de Zurique onde se doutorou em 1946.

Foi um dos fundadores da Portugaliae Mathematica (1937) e da Gazeta de Matemática (1940).

Em 1947, “a expulsão de brilhantes investigadores que o Estado salazarista infligiu às universidades e centros de investigação portugueses, Hugo Ribeiro é convidado e vai lecionar em Berkeley, na Universidade da Califórnia, e, sucessivamente, na University of Nebraska e na Pensylvania State University, University Park e, pontualmente, na Universidade Federal de Pernambuco (Recife)”.

Hugo Ribeiro regressaria a Portugal só depois da revolução de 25 de abril de 1974, tornando-se professor, com a mulher, na Universidade do Porto.



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