Presidente mexicano admite debater legalização das drogas

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 04 de Agosto de 2010   
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O presidente mexicano afirmou hoje que admite debater a legalização das drogas, depois de o seu governo anunciar que a guerra entre os cartéis já causou mais de 28 mil mortos desde 2006.

Felipe Calderón disse: “Este é um debate fundamental, no qual penso que, antes de tudo, é preciso uma pluralidade democrática [de opiniões].”

“Tem de se analisar cuidadosamente os prós e contras e os argumentos essenciais de cada lado”, adiantou o chefe de Estado que em 2006 lançou uma ofensiva contra os cartéis de droga mexicanos.

O presidente falava durante uma reunião com representantes de grupos de empresários e cívicos, na qual se discutiram formas de melhorar a estratégia antidroga, tendo alguns dos participantes defendido a abertura de um debate sobre a legalização.

No ano passado, três antigos presidentes - César Gaviria, da Colômbia, Ernesto Zedillo, do México, e Fernando Cardoso, do Brasil – defenderam que os países sul-americanos considerassem a legalização da marijuana para reduzir a principal fonte de rendimento dos cartéis. O próprio Congresso mexicano também discutiu o assunto.

Mas Calderón há muito que diz que se opõe à ideia da legalização e o seu gabinete emitiu uma declaração, horas após as suas declarações, realçando que o presidente, apesar de estar aberto ao debate, permanece “contra a legalização das drogas”.

Ao propor o debate, o analista e escritor Hector Aguilar Camin disse: “Estou a falar das droga em geral, não apenas da marijuana.”

Na ocasião, o diretor dos serviços de informação, Guillermo Valdes, que revelou o número de 28 mil mortos associados à violência relacionada com o tráfico de droga, disse que as autoridades confiscaram 84 mil armas e apreenderam 411 milhões de dólares (311 milhões de euros) e 330 milhões de pesos (20 milhões de euros).

As estatísticas mais recentes sobre as mortes associadas ao tráfico de droga eram de junho, quando o procurador geral apontou o número de 24 800 mortos.

O governo mexicano garante que a maioria das vítimas estava envolvida no tráfico de droga.

Alguns dos presentes na reunião criticaram o governo pela falta de estatísticas consistentes sobre o combate ao tráfico de droga e de uma forma de comunicação efetiva dos resultados obtidos.

Defenderam ainda que o governo tem de fazer mais para combater o braço financeiro do crime organizado.

José Luís Pineyro, da Universidade Autónoma Metropolitana, disse que “não há uma política sistemática para investigar ou aprender os ativos do crime organizado, nem uma forma de localizar as suas propriedades”.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



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