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Rússia. Entre as férias de Maniche e o sucesso (isolado) de Danny

por Filipe Duarte Santos, Publicado em 05 de Agosto de 2010   
Afinal o que tem o campeonato russo além do dinheiro? Talvez o Zenit e pouco mais. Bruno Alves está a caminho
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"Aquilo é de mais. É bom para ir quatro ou cinco dias de férias." Maniche assinou um contrato de cinco anos pelo Dínamo de Moscovo mas nem uma hora esteve adaptado ao futebol russo. Em Novembro do ano passado, numa entrevista ao i, na Alemanha (jogava no Colónia), o actual futebolista do Sporting lamentava essa aventura pós-FC Porto e só se ria da extravagância da capital moscovita. "Íamos aos restaurantes e tínhamos de dar uma comissão de dez por cento aos empregados. Era incrível, treinávamos de manhã e de tarde íamos ao centro [...] Estávamos por ali, jantava-se e ficávamos no restaurante porque os restaurantes tinham bar. De resto, era compras, estar em casa, andar com a malta." Bela vida, portanto.

Mas como o futebol não é só dinheiro, ao final de uns dias Maniche fartou-se, do frio, dos relvados, do nível do campeonato. Deixou de jogar bem, perdeu a motivação e criou um grande problema a Jorge Mendes, o seu empresário, que então tinha de justificar perante o clube o falhanço de uma contratação que todos esperavam decisiva. Afinal, o Dínamo tinha pago 16 milhões ao FC Porto e negociado um ordenado de 250 mil euros mensais para um médio que não estava para ali virado. Mesmo assim encheu o bolso nas curtas férias. "Foi a partir daí que encaminhei a minha vida e se o futebol acabasse hoje estava tranquilo", assumiu. Depois foi emprestado ao Chelsea e vendido ao Atlético de Madrid (e emprestado ao Inter) sempre com o seu ordenado mais ou menos garantido. Só no Sporting, agora, decidiu reduzi-lo para jogar no clube do coração.

UMA LIGA COMO A PORTUGUESA Há mais casos como o de Maniche. Costinha, hoje o seu director desportivo no Sporting, foi companheiro de viagem em Moscovo nesse ano de 2005. Ele e Nuno (guarda-redes), Cícero (avançado), Frechaut (médio), Jorge Ribeiro (defesa), Luís Loureiro (médio) e Danny (atacante). E o que se pode dizer é que este último foi o único a fazer vida na terra dos czares.

O carreira de Danny estava engatada no Sporting e foi no Dínamo de Moscovo que o português nascido na Venezuela disparou. Após quatro temporadas, em 2008 transferiu-se para o Zenit, por 30 milhões de euros, no negócio mais caro de sempre do futebol russo. Foi lá que ganhou estatuto para isso e, ao mesmo tempo, para se tornar internacional na selecção portuguesa. Danny é um apaixonado pela velocidade da Liga Espanhola, sabe que lá até a língua o ajudava a adaptar-se, mas o espírito de nómada fê-lo criar raízes na Rússia, onde não se queixa de nada. "O Zenit é um grande clube, joga sempre para ser campeão", disse numa entrevista ao "Record". De resto, o nível do futebol e das infra-estruturas não lhe faz confusão. "O campeonato é parecido com o português [estão no sexto lugar do ranking da UEFA, duas posições acima de Portugal]. No Inverno, devido ao estado dos relvados, torna-se mais táctico, mas no Verão existem condições e a qualidade melhora. A Liga está cheia de estrangeiros de grande qualidade."

O último deles é Bruno Alves. O antigo capitão do FC Porto junta-se a Danny e Fernando Meira para defrontar craques como Wagner Love (brasileiro do CSKA de Moscovo), Obafemi Martins (nigeriano do Rubin Kazan) ou eventualmente o internacional italiano Iaquinta (que pode transferir-se da Juventus para o CSKA). É o poder do novo dinheiro a falar num país em que o Zenit e CSKA têm sido as duas grandes potências, com campanhas respeitáveis na Europa. À primeira vista parece estranho que Bruno Alves possa mudar-se para uma competição tão pouco mediática mas talvez os 2 milhões de euros que vai ganhar por ano façam grande diferença. É o contrato da sua vida e aos 28 anos teve de o agarrar.


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