Se alguém dissesse, em 2005, que um dia a Sony Computer Entertainment ia usar a consola do vizinho para se inspirar, qualquer analista rebolaria de rir no chão. Recordo um artigo publicado pelo Financial Times com um estudo da Gartner onde a Playstation aparecia como líder incontestada do mercado até 2011. E até é: se juntarmos as vendas da PS original às da PS2 e PS3 vemos que a Playstation continua a dominar o mercado (já deve ir nos 110, 115 milhões de consolas vendidas em todo o mundo).
A surpresa acontece apenas na sexta geração de consolas. A Microsoft foi a primeira a chegar à festa, no Natal de 2005; seguiu-se a revolucionária Wii em Novembro do ano seguinte. E a Playstation 3 acabou por perder o comboio atrasando-se no mínimo dois trimestres (lançada em Março de 2007).
Aqui temos um exemplo do óptimo a ser inimigo do bom. Tão perfeccionista foi a Sony, tanta funcionalidade quis pôr dentro da PS3, que exagerou em todos os aspectos. Custo e complexidade. Foi apanhada na curva pela Nintendo, que percebeu haver um nicho de mercado que não queria cá jogos malucos e complicados, nem cheios de perícia e bons gráficos. Havia uma parte do consumo que estava à espera de uma consola fácil de usar, engraçada e barata. A Wii disparou para o topo e lá se mantém, dois anos e meio depois, contra todas as previsões e expectativas. A Sony reconheceu, finalmente, que alguma coisa a Nintendo está a fazer bem. E por isso cedeu à imitação - as novidades que apresentou no E3 em Las Vegas assim o comprovam (um controlador para os movimentos das mãos, seguidos por uma câmara, vai estar disponível para PS3).
A Microsoft também seguiu o mesmo caminho. Mas neste caso, a imitação é um modo de vida.




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