Internacional

Confronto mortal. Troca de tiros entre Israel e Líbano relança fantasma da guerra

por Joana Azevedo Viana, Publicado em 04 de Agosto de 2010   
Incidente fez cinco mortos. Pedidos da ONU ignorados: Israel promete reagir e Líbano diz que responderá "para além de todos os sacrifícios"
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Um dia depois de o governo israelita ter oferecido a sua cooperação à investigação da ONU ao incidente com a frota da paz, essa decisão histórica fica manchada de sangue. O palco foi a fronteira de Israel com o Líbano, onde os confrontos armados inesperados entre os exércitos israelita e libanês mataram três soldados e um jornalista do Líbano e uma alta patente israelita. É o caso mais mortífero entre os países desde a guerra de 2006 e levou a uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para discutir o aumento da tensão. "A prioridade imediata da UNIFIL [a força das Nações Unidas instalada no Líbano] é consolidar a calma e pedimos às duas partes que sejam o mais contidas possível", pediu Neeraj Singh, porta-voz da UNIFIL, no final da reunião.

Este pedido, porém, será provavelmente ignorado. Depois de membros dos dois governos se terem apressado a juntar-se à reunião de emergência convocada a pedido do Líbano, o governo israelita avisou aquele país de que "haverá consequências" caso a violência continue. "Israel considera o governo libanês responsável por este grave incidente", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em comunicado. O Alto Conselho de Defesa libanês reagiu de imediato, anunciando que decidiu enfrentar a "agressão israelita" com "todos os meios e para além de todos os sacrifícios". O exército do país garante que Israel disparou tiros de artilharia sem provocação, na fronteira dos dois países, atingindo uma casa onde um militar e um civil ficaram feridos, e matando três soldados e um jornalista do diário "al-Akhbar". As tropas libanesas terão respondido com tiros, vitimando então a alta patente israelita.

A culpa é da... árvore? "Isto começou porque os israelitas queriam cortar uma árvore na fronteira do Líbano", contou fonte das forças de segurança daquele país na cidade de Aadassi, onde decorreram os confrontos. "O exército libanês disparou tiros de aviso e eles responderam com um bombardeamento." A fronteira entre os dois países é uma zona de risco há várias décadas (ver cronologia), e funciona como uma das bases fixas do Hezbollah. Em 2006, o exército israelita entrou em confrontos com a guerrilha libanesa, altura em que o exército do Líbano se instalou no local, juntamente com 12 mil capacetes azuis da ONU. Nesse ano, Israel instalou tropas fixas na fronteira, algumas das quais em zonas mal identificadas. Analistas apontavam ontem que o confronto pode ter acontecido devido a falhas da identificação da fronteira física entre os dois países.

Na sequência do incidente, o presidente sírio, Bachar al-Assad, telefonou ao homólogo libanês para garantir que "a Síria se mantém do lado do Líbano" e o Hamas, partido no poder na Palestina, e o Irão condenaram de imediato a "agressão sionista". A troca de tiros aconteceu um dia depois das cidades de Eilat (Israel) e Aqaba (Jordânia) terem sido atingidas por dois rockets. Estes ataques conjuntos, que vitimaram um civil na Jordânia, foram atribuídos ao Hezbollah e ao Hamas, mas não oficialmente.


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