Festival

Sudoeste 2010. Making of de um dos maiores blockbusters deste Verão

Publicado em 04 de Agosto de 2010   
Acompanhámos os homens que trabalham de sol a sol para que tudo esteja pronto hoje no arranque do festival
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Uma escova de dentes perdida desde o ano passado mistura-se com a terra seca da herdade da Casa Branca. Estamos junto ao longo corredor de chuveiros, onde os festivaleiros começam hoje a fazer fila para os serviços mínimos de higiene diária. Não cai pinga de água nesta aridez alentejana, à excepção dos trabalhadores em tronco nu que libertam o suor de 40 graus à sombra. São apenas sete, todos eles responsáveis pela megaesplanada que vai aconchegar o estômago de quem acampa no parque do Festival do Sudoeste. O evento começa hoje, mas os preparativos, que se iniciam meses antes, intensificam-se nas duas últimas semanas. O i acompanhou um dia na vida de quem faz tudo para que nada falhe, dos restaurantes ao palco, passando pelo catering dos artistas e pelas diversões de feira.

Num estaleiro perdido entre o pinhal da herdade há máquinas em decomposição e carros ferrugentos abandonados à sua sorte. Ao lado de uma pequena casa de apoio, que aos poucos parece ser engolida pela vegetação desgovernada, uma churrasqueira portátil com ar de quem merecia um destino final é atrelada à carrinha do Psicológico. "É como um amuleto da sorte. Até podemos não a utilizar - temos mais duas -, mas esta foi a primeira de todas. Tem de estar lá", diz--nos Abílio Bastos, o braço-direito do patrão dos hambúrgueres omnipresentes em tudo o que é festival de Verão.

Carlos, o homem que ergueu o império do Psicológico a partir de um simples carrinho de cachorros, já não se encontra no recinto. Passou a manhã a supervisionar a montagem dos equipamentos, mas o dever chamou-o ao Norte, onde foi também responsável pelo catering do Festival de Paredes de Coura. Ao fim do dia estaria de volta. Nada a que não esteja habituado.

Bill, assim o chamam os colegas de serviço, rende-o com a mestria dos seus quatro anos de casa: sabe onde encaixa cada parafuso e conhece os caminhos poeirentos da herdade como a palma da sua mão. Distribui as ordens com confiança, ora ao seu pupilo, ora aos funcionários da empresa responsável pelas lonas que dão aspecto caseiro à estrutura de metal. "Aqui vai haver um corredor com todo o tipo de comidas, saladas, carnes, peixe, snacks. Mandámos vir uma vitela e meia e 600 quilos de carne", explica, visivelmente orgulhoso da responsabilidade que lhe foi confiada. Não é para menos: há muito que o Psicológico deixou de alimentar humildemente a pão e salsicha as almas ébrias da noite de Coimbra. Hoje, além de servir os milhares que rumam à Zambujeira, é também responsável pelo catering dos artistas.

"Durante o festival vou ficar pelo backstage", garante Abílio. É aqui, numa zona de acesso restrito, que está estacionado o segundo camião-cozinha do restaurante portátil, tal como as caravanas que servem de casa ao staff de topo da empresa. Os artistas são exigentes? Nem por isso, a maioria vai corrida a hambúrgueres e porco no espeto. Pedidos estranhos ficam para a organização, conta-nos este homem, do alto dos seus quase dois metros.

O pupilo é a sua antítese: baixinho, trabalha há pouco mais de dois meses sem uma tarefa propriamente definida. Ou seja, faz de tudo com a melhor das boas vontades. "É divertido, conhecemos imensa gente. Nunca estamos no mesmo lugar", confessa Carlos Ferreira. Agora que o festival arranca, esta dupla sofre um upgrade considerável: a eles juntam-se 60 funcionários, integrados numa logística de dois camiões TIR, quatro roulottes e três churrasqueiras. Com tanta gente a trabalhar, o mais provável é que nem todos conheçam a história por trás do nome "Psicológico". Mas Bill sabe-a de cor e faz questão de a contar: "Havia um brasileiro que trabalhava no tal carrinho de cachorros. Quando os clientes se queixavam do frio, ele dizia sempre: ''o frio é psicológico. E ficou.''"

Outros festivais, o mesmo palco

Quem pisa o recinto dos espectáculos, dificilmente tem a percepção da massa humana que o espaço comporta. Por agora, o chão é ainda um imenso manto verde com milhares de gafanhotos a saltarem aos nossos pés, a cada passo que damos. Na extremidade oposta ao palco há quem corra contra o tempo. Cinco homens queimados pelo sol montam o esqueleto de uma montanha-russa. Não é trabalho para qualquer músculo: são centenas de peças em ferro maciço para carregar em ombros, aos pares. "Não fotografe, olhe que sou procurado pela polícia", brinca um deles. A equipa dorme num pequeno contentor pousado sobre uma carrinha de caixa aberta. Durante o dia, trabalha afincadamente de sol a sol para conseguir montar a estrutura em dois dias.

Não é um tempo recorde, tendo em conta que para erguer o palco principal do Sudoeste são precisas quase duas semanas. "Poderia ser mais rápido, se tivéssemos mais homens", conta-nos o encarregado da estrutura onde os artistas vão brilhar. A esta hora, três da tarde, o calor aperta e torna os movimentos mais lentos e pesados. De garrafa de água numa mão e telemóvel na outra, este responsável desdobra-se em telefonemas para providenciar o material em falta. O palco não é mais do que um conjunto imenso de andaimes de aspecto frágil, mas bem protegido pelas mais elementares leis da física - só a cobertura suporta mais de 17 toneladas. "Durante o ano, ficam guardados num armazém. Ou servem para dar apoio à construção. Na época de Verão correm alguns festivais. Este aqui veio directamente do Meco", diz.

Esta tarde, quando as portas do festival se abrirem, é provável que ninguém pense nas longas jornadas de trabalho destes homens. Mas uma coisa é certa: para eles, a Zambujeira acaba no dia em que a festa começa. É tempo de voltar a casa.

 

Antes da festa, O que fazer durante o dia?

 

Praias e banhos
Nada como cortar o calor do Alentejo com um belo banho de mar. E praias não faltam por aqui:_a da Zambujeira é preferida dos festivaleiros, mas não muito longe há a praia da Amália, perto da Azenha do Mar. De visita incontornável é a praia do Tonel. Um aviso: terá de descer por uma corda.

Almoços e cerveja
Se visitar a praia do Tonel, aproveite para provar os petiscos do restaurante Azenha do Mar. Diz-se que era dali que saíam os percebes favoritos de Amália Rodrigues. Bem regados por uma cerveja fresca. Se tiver de esperar, tem sempre uma mesa de matraquilhos para se entreter. 

Croissants e waffles
A pouco mais de 30 quilómetros da Zambujeira do Mar, em Vila Nova de Milfontes, há um pequeno-_-almoço a não perder: a Mabi tem dos melhores croissants e waffles da zona. Para quem não tem carro, há uma filial na própria Zambujeira.


Todos querem provar as tostas do café do Rita

 

É dos cafés mais emblemáticos da Zambujeira do Mar. Cinco ou seis dias por ano, o Café do Rita recebe de braços abertos festivaleiros esfomeados e mal dormidos. Aqui o mais certo é encontrarem o sorriso bem-disposto de António Rita, o homem que há mais de 40 anos assumiu as rédeas do estabelecimento. O “Rita”, como lhe chamam, tem as tostas mistas mais famosas de toda a região. E se para alguns o festival do Sudoeste é sinónimo de dores de cabeça, para este sexagenário paciente não é mais do que um momento de celebração. “Uma vez apanhei um a roubar um pacote de batatas fritas. Disse-lhe que não precisava disso. E dei-lhas.”

 

Zapping humano. O melhor dos quatro dias de música a sudoeste

Hoje é dia de recepção ao campista. A partir de amanhã, os palcos desdobram-se em propostas. O difícil é escolher. Siga as dicas

Día 5, quinta

M.I.A., 00h20 _(Palco TMN) Não vale a pena tentar pronunciar o nome desta mulher. Fique-se pelo concerto, de certeza que vai querer dançar.
The Flaming Lips, 22h35 (Palco TMN) Música que serve de banda sonora para delírios. O psicadelismo no século XXI – a não perder.
The Very Best, 22h15 (Planeta Sud.) A fusão afro com o melhor da electrónica inglesa em palco. The Very Best são um bom refresco para começar a noite.

Dia 6, sexta
DJ Shadow, 00h30 (Groovebox) _É um dos nomes mais importantes do hip-hop instrumental e exímio a manipular samples.
Lykke Li, 23h00 _(Planeta Sud.) É a menina da moda do indie nórdico. Lykke Li volta a Portugal, mas falta-lhe encontrar um sucessor para “Youth Novels”.
Jamiroquai, 00h10 (Palco TMN) Jay Kay está de regresso ao Sudoeste, onde actuou em 2003. _E traz de volta _o acid jazz dos Jamiroquai.

Día 7, sábado
Sugababes, 22h35 (Palco TMN) Mais uma encarnação, outra colecção de refrães-pastilha elástica e a imagem de sempre.
Friendly Fires, 22h (Planeta Sud.)
Punk dançável, _de sotaque britânico carregado e a fazer testes de lançamento para um futuro novo álbum.
Diabo na Cruz, 19h50 (Planeta Sud.)
Em português, para cruzar a vontade do rock’n’roll com as tradições musicais do país.

Día 8, domingo
Beirut, 22h25 (Planeta Sud.) Zach Condon, um dos heróis indie dos últimos anos, com alguns dos melhores dramatismos cantados.
Mike Patton’s Mondo Cane, 21h15 (Palco TMN) Qualquer desculpa é boa para ver um dos mais criativos nomes do mundo alternativo.
Carminho, 20h10 _(Planeta Sud.)
A nova voz do fado que é já obrigatória, para voltar a dizer que no Sudoeste cabe toda a linguagem musicada.

 

4 de Agosto


Palco TMN
Nuno Reis: 21h30-22h30
DJ Zé Pedro, Dr. Ramos, DJ Zé Miguel Nora: 22h30-01h00
2ManyDjs: 01h20-02h50


5 de Agosto


Palco TMN
Groove Armada: 02h10-03h35
M.I.A: 00h20-01h50
The Flaming Lips: 22h35-23h50
Bomba Estéreo: 21h15-22h05
Maria Gadú: 20h00-20h50

 

Palco Planeta Sudoeste Jogos Santa Casa
The Very Best: 22h15-23h15
Rye Rye: 21h10-21h55
Márcio Local: 20h05-20h50


Groovebox
Rui Vargas & André Cascais: 03h30-05h30
Hot Natured (Jamie Jones & Lee Foss): 02h00-03h30
Social Disco Club: 01h00-02h00
Kruder&Dorfmeister Live: 23h45-01h00


Palco Sapo Positive Vibes
Lyre Le Temps: 02h00-04h00
Israel Vibration: 00h15-01h45
Tarrus Riley: 22h15-23h45
Richie Campbell: 20h45-21h45


6 de Agosto


Palco TMN
Orelha Negra: 02h10-03h10
Jamiroquai: 00h10-01h40
Colbie Caillat: 22h40-23h40
James Morrison: 21h10-22h10
Expensive Soul: 19h45-20h35


Palco Planeta Sudoeste Jogos Santa Casa
Lykke Li: 23h00-00h00
Ladi6: 21h55-22h40
NuSoulFamily: 20h50-21h35
Emmy Curl: 19h45-20h30


Groovebox
Magazino: 04h00-05h30
Guillaume & The Coutu Dumonts Live: 03h00-04h00
Petre Inspirescu: 01h30-03h00
DJ Shadow Live: 00h30-01h30


Palco Sapo Positive Vibes
Herb-a-lize it: 02h00-04h00
Jah Cure: 00h15-01h45
Zion Train: 22h15-23h45
Human Chalice: 20h45-21h45


7 de Agosto


Palco TMN
Bajofondo: 02h00-03h00
Mika: 00h00-01h30
Sugababes: 22h35-23h35
Tim & Companheiros de Aventura: 21h00-22h00
Brett Dennen: 19h45-20h35


Palco Planeta Sudoeste Jogos Santa Casa
Friendly Fires: 22h00-23h00
Anaquim: 20h55-21h40
Diabo na Cruz: 19h50-20h35
João Só e Abandonados: 18h45-19h30


Groovebox
Zé Salvador & Joao Maria: 03h30-05h30
Soundhack / Soundstream (Smith'n Hack) Live: 02h00-03h30
Scuba: 00h45-02h00
DJ Ride Showcase: 23h30-00h45


Palco Sapo Positive Vibes
Supersonic: 02h00-04h00
Midnite: 00h15-01h45
Black Seeds: 22h15-23h45
Marrokan: 20h45-21h45


8 de Agosto


Palco TMN
David Guetta: 02h15-03h25
Massive Attack: 00h25-01h55
Air: 23h00-00h00
Mike Patton's Mondo Cane: 21h15-22h35
peixe:avião: 19h45-20h30


Palco Planeta Sudoeste Jogos Santa Casa
Beirut: 22h25-23h45
Tiago Bettencourt & Mantha: 21h15-22h05
Carminho: 20h10-20h55
Martina Topley-Bird: 19h05-19h50


Groovebox
Johnwaynes Live: 04h30-05h30
Dyed Soundorom: 03h00-04h30
Hugo Santana: 01h45-03h00
Soul Clap (Wolf + Lamb): 00h15-01h45


Palco Sapo Positive Vibes
Pow Pow Movement: 02h00-04h00
The Wailers: 00h15-01h45
The Steel Pulse: 22h15-23h45
B!rd: 20h45-21h45



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