Supertaça
FC Porto. Villas-Boas não fica Sereno sem um Bruno Alves. Nem com Maicon
por Rui Catalão, Publicado em 03 de Agosto de 2010
Golos sofridos em Paris confirmaram problema dos dragões: Bruno Alves é o patrão que falta na defesa. Mas está de saída. Quem o substitui?
A viagem do FC Porto a Paris acabou como tinha começado: com uma derrota. Mudou o adversário (de PSG para Bordéus), mudaram os jogadores no onze de André Villas-Boas (só Maicon e Álvaro Pereira mantiveram a titularidade), mas os problemas foram os mesmos: a equipa precisa de líderes e de um patrão na defesa. No jogo com o Bordéus, a solução esteve mesmo atrás da baliza de Beto. Mas Bruno Alves e Raul Meireles passaram a segunda parte em exercícios físicos, apenas para manter a forma.
Em Paris, nenhum dos dois fez mais do que isso - treinar. E o torneio serviu para confirmar a falta de certezas que continua a atormentar o trabalho de Villas-Boas. Alves e Meireles foram essenciais nas últimas épocas, mas estão com um pé fora do clube. Seja qual for o desfecho, a preparação do jogo da Supertaça ficará sempre ensombrada por estes dois fantasmas.
É certo que a eventual saída do médio estará sempre mais acautelada do que a do defesa-central. O FC Porto já tinha Belluschi e Ruben Micael como alternativas e agora juntou João Moutinho. O meio-campo é, aliás, o sector que melhores referências deixou nesta pré-época. Os dragões mostraram ao longo dos sete jogos realizados até ao momento que sabem tratar bem a bola. Mas nem nesse capítulo o Torneio de Paris chegou para sossegar Villas-Boas: quer num jogo, quer noutro, os minutos começaram a retirar discernimento na construção de jogo. Ao fim de uma hora, os passes começaram a falhar e a pressão baixou cada vez mais. Ainda faltam pernas para aguentar os 90 minutos.
Foi então que começaram os problemas na defesa. No primeiro jogo, com o PSG, a passividade da equipa permitiu que os franceses aproveitassem um lançamento lateral para marcar já em cima do apito final. Frente ao Bordéus, foram os erros individuais a ditar o desfecho final. Souza começou por fazer um alívio direitinho para a cabeça de Ayité - apesar de haver falta sobre Sapunaru. Depois, Sereno inventou uma finta em zona proibida para depois fazer falta. No livre, Emídio Rafael não soube acompanhar Ciani, que cabeceou para o golo da vitória.
O FC Porto sofreu três golos de bola parada, lances nos quais Bruno Alves é especialista - quer a defender, quer a atacar. É óbvio, sobretudo para Villas-Boas, que não há nesta altura no plantel azul e branco um substituto à altura do central. Por enquanto, Sereno e Maicon são os nomes à disposição para fazer dupla com Rolando. Mas até agora nenhum convenceu ao ponto de garantir a confiança do treinador: o primeiro cometeu um erro infantil e o segundo, com apenas 21 anos, é ainda um jogador a precisar de amadurecer. Além disso não têm a postura de líder que Bruno Alves sempre evidenciou dentro de campo. Para já um deles terá mesmo de ser a solução para o eixo da defesa - independentemente dos desenvolvimentos desta novela - uma vez que o capitão está castigado e não pode alinhar no jogo da Supertaça. A longo prazo, caso se confirme a saída, os dragões deverão ser obrigados a recorrer ao mercado para preencher a vaga com qualidade.
Outro nome a juntar às deficiências na construção do FC Porto 2010/2011 passa pelo lado direito da defesa. Jorge Fucile - que fez anteontem o primeiro jogo da pré-época - tem sido seguido por vários emblemas europeus, com o Schalke no topo da lista. Apesar de o clube alemão ter anunciado ainda ontem a contratação do espanhol Sérgio Escudero, para a posição de lateral-esquerdo, não é de descartar uma investida para levar o uruguaio do FC Porto, sobretudo porque o treinador Felix Magath não está satisfeito com as prestações de Rafinha no lado direito. Mesmo tendo tido alguns momentos menos conseguidos ao longo da última época, Fucile dá outro tipo de garantias que Miguel Lopes e Sapunaru (ainda) não conseguem dar.
Seja como for, André Villas-Boas não tem motivos para olhar para a semana que antecede a Supertaça com a mesma confiança do rival Jorge Jesus. Ainda em Paris, reconheceu os problemas da equipa com os lances de bola parada. Mas também se queixou dos árbitros: "Eles procuraram a falta, o árbitro cooperou e ajudou à festa dos clubes franceses. Já no jogo do Bordéus com a Roma tinha sido assim." Ainda assim, Villas-Boas promete um FC Porto diferente para o jogo com o Benfica. "A motivação será outra." Com um troféu oficial em jogo, os dragões terão mesmo de render mais.
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