China. Banco Central reclama segundo lugar na economia mundial
por André Patrocínio, Publicado em 02 de Agosto de 2010
Crescimento acelerado pode criar uma nova "bolha imobiliária" e agravar desigualdades sociais na China
Em pleno cenário de crise mundial, a China aproveita para reclamar o lugar de segunda maior potência económica no ranking mundial, ultrapassando assim o Japão. A posição é reclamada pelo vice-presidente do Banco Central chinês, Yi Gang, que, em entrevista à revista "China Reform", sublinhou que "a China já é, de facto, a segunda maior economia mundial". O responsável máximo do órgão regulador diz que "a China é um país em desenvolvimento e nós deveríamos ser inteligentes o suficiente para o reconhecer".
Mira Amaral, presidente do Banco Internacional de Crédito, explicou ao i que o crescimento no país "começou desde que os líderes chineses decidiram abrir o país a capitais estrangeiros, apostando fortemente em infra-estruturas, portos e aeroportos". Tudo funcionou, para Mira Amaral, segundo uma fórmula que conjuga "uma grande capacidade de poupança e o grande capital estrangeiro para financiar as suas indústrias".
Para Pedro Vieira, consultor da empresa MarketAxess, o forte crescimento chinês foi possível pelo facto de o país "não se ter baseado apenas na exportação, mas também num grande consumo interno, numa altura de crise global". Além disso, esclarece Pedro Vieira, "a China tem tido uma boa estratégia ao investir em províncias mais pobres do interior, para evitar a contestação social e o êxodo rural, ao mesmo tempo que procura satisfazer as classes mais ricas e mais jovens, no litoral chinês".
De acordo com os dados da Agência Nacional de Estatísticas, a economia da China cresceu 11,1%, apenas no primeiro semestre deste ano, atingindo os 3800 milhões de yuans (429 milhões de euros), e estima-se que tenha crescido durante todo o ano cerca de 9%.
Apesar do anúncio do vice do Banco Central chinês, há ainda dúvidas sobre os fundamentos que colocam a China como a segunda maior potência económica mundial. Isto, porque também se aguarda a publicação das estatísticas sobre o Produto Interno Bruto do Japão, números que apenas deverão estar disponíveis em Agosto.
OBJECTIVO O próximo objectivo da China passa agora por destronar a maior economia do mundo: os EUA. Segundo as previsões feitas pelo Banco Mundial e pelo Goldman Sachs, a economia chinesa poderá conseguir ultrapassar a economia norte-americana no ano de 2025, caso mantenha os mesmos níveis de crescimento. Em 2005, a economia chinesa deixou para trás países como França, em 2006 o Reino Unido, e em 2007 a Alemanha. Os analistas especulam agora se a meta do primeiro lugar será atingida apenas em 2025, ou se tal poderá acontecer mais tarde. Para Mira Amaral, "pode ser em 2040 ou em 2050, é uma questão de tempo até a China ou mesmo a Índia ocuparem o primeiro lugar como potência económica". Salientando que há vários cenários em jogo, considera até a Índia uma candidata mais forte do que a China, já que "está isenta de convulsões e tem um crescimento mais sustentado". Tudo depende de se "a economia dos EUA continua a arrefecer e se a economia da China mantiver o crescimento que tem tido".
Na óptica de Pedro Vieira, "o crescimento da China é perigoso", uma vez que "ultrapassa barreiras, como nunca aconteceu antes na história mundial", e "pode facilmente conduzir a maiores desigualdades sociais e a uma bolha imobiliária".
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