Alunos do ensino básico já têm metas de aprendizagem
por Kátia Catulo, Publicado em 31 de Julho de 2010
Programa só vai estar disponível online em Setembro, mas já foi criticado pelos matemáticos
Antes de entrar para o 9.o ano todos os alunos têm de aprender o mínimo. Devem por exemplo saber ler um texto e encontrar os seus sentidos implícitos, a Língua Portuguesa, conhecer de trás para a frente a teoria da tectónica de placas, a Ciências, ou traçar a evolução da civilização com conhecimentos que vão da pré-história à Idade Média, a História. São só algumas metas de aprendizagem que cada estudante deve atingir ao terminar o 3.o ciclo. Mas há outras metas que o Ministério da Educação definiu para cada ano, cada ciclo e cada disciplina do pré-escolar ao 9.o ano.
O projecto foi apresentado ontem pela ministra Isabel Alçada, e em finais de Setembro todas as metas estarão disponíveis no portal do Ministério da Educação. Alunos, professores e pais vão poder consultar o programa, que propõe ainda actividades e exercícios que os professores poderão usar para atingir cada um dos objectivos e ainda as estratégias para avaliar se a missão foi bem sucedida.
"Trata-se sobretudo de uma abordagem diferente, que passa por focalizar no que é essencial, isto é, naquilo que o aluno tem de aprender em cada disciplina e em cada ano", explicou Isabel Alçada, reconhecendo que o sucesso das metas de aprendizagem estará sempre dependente da criatividade do professor e ainda da sua vontade de aplicar o programa: "O nosso objectivo é disponibilizar um instrumento útil e não impor o programa a ninguém."
Apesar de a adesão ao programa não ser obrigatória, todas as escolas podem usar a nova metodologia e enviar os resultados dessa experiência ao ministério, que pretende ainda adaptar e reajustar o programa depois de o testar no terreno. Cerca de 10 agrupamentos irão servir de cobaias. As escolas serão seleccionadas por todo o país e ao longo do ano vão ter o acompanhamento de equipas técnicas do Instituto da Educação da Universidade de Lisboa. O processo, no entanto, só termina em 2013, quando estiverem concluídas as metas de aprendizagem para cada uma das 14 disciplinas e para cada ano de escolaridade do ensino secundário.
O programa ainda não está no terreno, mas já foi alvo de críticas da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), que no seu parecer denuncia várias falhas como "limitações muito graves" ou "objectivos vagos": "O documento em apreciação tem limitações muito graves e não nos parece que possa sequer constituir um elemento de partida para a elaboração de metas", escreveu a SPM no seu parecer.
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