PT/Brasil: Paulo Campos rejeita críticas de Passos Coelho e acusa-o de impreparação

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 30 de Julho de 2010   
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 O secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, rejeitou hoje as críticas do presidente do PSD ao negócio da Portugal Telecom com a Telefónica, acusando-o, em contrapartida, de falta de preparação e de não proteger o interesse nacional.

Pedro Passos Coelho é acusado pelo secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, em declarações à agência Lusa, de “demonstrar falta de preparação nestas matérias, ignorar as evidências, não proteger o interesse nacional e colocar em causa perante os mercados a decisão da administração da PT”.

O líder do PSD afirmou hoje que o Governo mudou de posição no negócio, que o Estado não deveria intervir no processo, que a vontade prevalecente deveria ser a dos acionistas da empresa e que, no essencial, o negócio final não muda muito em relação à versão inicial.

Paulo Campos afirmou que as declarações de Pedro Passos Coelho são próprias de quem se “recusa a ver as evidências: agora há uma alternativa que permite manter a Portugal Telecom como operadora à escala global e a oferta é adicionada em algumas centenas de milhares de euros pela aquisição da Vivo”.

Esta “recusa”, como diz, leva-o a acusar o dirigente social democrata de “manifestar uma falta de preparação clara” e a afirmar que “qualquer analista financeiro explicará ao presidente do PSD que esta oferta é financeiramente melhor em algumas centenas de milhões de euros”.

Estes milhões, acrescenta, “são suficientes para infraestruturar todo as zonas do Interior com fibra ótica, com Internet em alta velocidade”.

O secretário de Estado recusa, por outro lado, que o Governo tenha mudado de posição. “O Governo disse que aquele cenário [inicial] de aquisição por parte da Telefónica das ações que a PT detinha na brasileira Vivo não defendia o interesse nacional, porque não deixava a empresa com escala e dimensão suficientes para permanecer como operador global, o que limitaria a sua capacidade de investimento em inovação e restringiria a sua capacidade de atuar nos mercados internacionais”, avança.

E compara: “A situação que temos é completamente diferente. A PT mantém-se, e reforça-se, como operadora à escala global e com capacidade para continuar a investir em inovação. Deste ponto de vista, altera – com a criação da alternativa da tomada de posição na brasileira Oi – drasticamente o perfil do negócio que tinha sido proposto há umas semanas.”

Paulo Campos menciona “que foi possível ainda aumentar o preço da oferta em largas centenas de milhões de euros”, para concluir: “Houve uma manifestação firme de defesa do interesse nacional e sem esta posição do Governo provavelmente não teríamos obtido estes resultados.”

Ainda sobre a participação do Estado, o secretário de Estado recorda que “o quadro de participação dos diferentes acionistas é conhecido por todos desde sempre".

"Neste quadro existe a possibilidade de o Estado intervir quando entender adequado e quando as matérias permitirem essa intervenção. No caso concreto, foi o que aconteceu. O que era necessário era que o Estado fosse intransigente na defesa dos interesses nacionais. Foi aquilo que fez e é aquilo que fará sempre que tiver essa oportunidade”, vincou.



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