O Irão está preparado para iniciar imediatamente negociações com as grandes potências para uma troca de combustível nuclear e não pretende ter reservas de urânio enriquecido a 20 por cento, afirmou hoje o chefe do programa nuclear iraniano.
“Estamos prontos para começar as negociações com a outra parte nos próximos dias” sobre uma troca de combustível, disse Ali Akbar Salehi à agência Mehr.
Segundo este responsável, as conversações com o Grupo de Viena – Estados Unidos, Rússia e França – vão realizar-se na capital austríaca, na sede da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
As declarações de Salehi são uma resposta a uma declaração feita na quarta-feira pelos Estados Unidos, segundo a qual Washington esperava uma reunião em breve sobre esta questão: “Estamos totalmente preparados para continuar as negociações com o Irão sobre os pormenores da nossa posição inicial relativa ao reator de investigação de Teerão”, afirmou o Departamento de Estado.
Os países do Grupo 5+1 – os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) e a Alemanha – propuseram em outubro de 2009 uma troca de urânio enriquecido a 3,5 por cento por combustível nuclear, ou seja, urânio enriquecido a 20 por cento em países terceiros.
Esta proposta, apresentada pelo 5+1 sob a égide da AIEA, foi recusada pelo Irão, que em maio apresentou uma contraproposta, formulada com a Turquia e o Brasil.
Essa contraproposta foi rejeitada pelo 5+1 e, na sequência disso, os esforços dos Estados Unidos para acentuar a pressão diplomática levaram à adoção na ONU de novas sanções contra o Irão.
Simultaneamente, e numa aparente tentativa de apaziguar as grandes potências, o Irão afirmou que não pretende ter uma reserva de urânio enriquecido a 20 por cento para além daquilo de que necessita para o seu reator.
“Queremos combustível a 20 por cento apenas para o reator de Teerão para momento. Se no futuro tivermos outros reatores deste tipo, será outra questão. Se nos fornecerem 100 quilogramas de combustível é suficiente para sete ou oito anos (…) Não queremos uma reserva de combustível a 20 por cento”, disse.
O Irão começou em fevereiro a produzir urânio enriquecido a 20 por cento, para fabricar o seu próprio combustível, depois do fracasso das negociações para o obter do estrangeiro.
A decisão foi condenada pelas grandes potências, que acusam Teerão de tentar fabricar a arma atómica a coberto de um programa nuclear civil.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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