"O teatro português perde um dos seus actores mais versáteis e também um encenador muito experiente e inspirado e com um talento especialíssimo para a comédia. Uma comédia moderna, ágil, de costumes, muito virada também para o 'nonsense' [disparate], para o jogo com a linguagem do quotidiano, coisa que aconteceu muito com a 'Conversa da Treta' [com que António Feio fez dupla com o actor e amigo José Pedro Gomes]. Ajudou muitos jovens a irem ao teatro, isso torna esta perda ainda mais pesada." [à Lusa]
"Um grande pai, um grande amigo, um grande encenador, um grande actor e um ser humano daqueles que se agigantam quando vemos por dentro. Sabia ver o copo meio cheio, sempre. Mesmo quando ele estava vazio. Rimos muito, trabalhámos juntos, e tudo aquilo que ainda tínhamos que fazer e que não é justo que tenha este fim. Guardo muitos momentos bons, e histórias que nunca mais esquecerei. Uma delas foi o dia em que me disse que estava doente, e que passado cinco minutos estava a rir e a gozar com isso."
"Não consigo imaginar a dor de José Pedro Gomes neste momento, porque eles funcionavam os dois como um só organismo. Não faz sentido que tão boa pessoa morra assim." [à RTPN]
"Estou profundamente sentida com a morte do António. Vou ficar sempre com a memória de um extraordinário encenador, de um actor de comédia excepcional, que lutou sempre até ao fim contra a doença que o levou. Vou ter muitas saudades dele, mas sei que ele estará a sorrir onde quer que esteja" [ao Correio da Manhã]
"Vou recordar o António Feio como um amigo de longa data. Tínhamos ainda uma grande diferença de idades. Era um actor muito inteligente, com um sentido de humor excepcional. O António deu também um exemplo de coragem pela forma como lutou com toda a força esta doença. Fez uma parelha fantástica com José Pedro Gomes." [ao Correio da Manhã]
"Custa-me muito a aceitar que o António Feio se foi embora. Dita a razão que todos devíamos estar preparados para isto, mas a verdade é que raras vezes se viu alguém enfrentar um cancro com tamanha coragem e, porque não dizê-lo, sentido de humor. E isso não merecia um final feliz? Se a vida fosse como em alguns filmes, um homem que se fez a um terrível drama com a incrível alegria que o Feio foi mantendo - dentro da medida do possível, mas, por vezes, para lá disso - em tudo o que ia escrevendo no seu Facebook, no trabalho que continuava a fazer, na pequena janela de chat que se abria, de vez em quando, aqui no meu computador e onde me dizia que lá ia indo, ele teria vencido a doença. Infelizmente, a vida é, boa parte das vezes, uma valente merda. Não exagero quando digo que era um sonho trabalhar com ele: um bom homem, humilde, talentoso, adepto do trabalho em equipa, do diálogo para que tudo corresse na perfeição."
“Lembro-me muito bem da estreia dele, quando tinha 12 anos, acho eu. Era um miúdo com muita graça. Há uma coisa que fica e que jamais se esquecerá que é o trabalho que ele fez com 'O que diz Molero'. Encenou e representou com o José Pedro Gomes e foi um trabalho fantástico” [à Renascença]
“O António foi cedo de mais. Era um tipo muito activo e pôs tanta gente a fazer coisas tão boas, que tenho imensa pena. É injusto que lhe tenha sido tirada a possibilidade de fazer o que ele fazia tão bem, que era, sobretudo, dirigir pessoas, encenar peças e entrar nelas e fazer isto tudo com um grande sentido de humor com grande simplicidade, sem complicar. Fiz com o António aquela que é uma das coisas de que mais gostei de ter feito, que é ‘O que diz Molero’. Por isto, e por muito mais coisas, hoje é um dia particularmente triste.” [à Lusa]
"Perdemos um grande actor, um grande homem. Uma pessoa insubstituível. Uma pessoa com muito humor e uma grande paixão pelo teatro." [à SIC Notícias]
"Homem de grande sentido de humor e de grande simplicidade, a sua morte prematura deixa imensa saudade em todos os portugueses e em especial na cena teatral portuguesa, no género do humor, onde criou personagens cómicas de culto como o 'Tóni', das 'Conversas da Treta', onde formou uma dupla cómica com o actor e amigo José Pedro Gomes"
“Tudo quanto se possa dizer são banalidades, porque dizer que foi um grande homem, foi um grande homem, um grande actor, foi um grande actor, um grande encenador, um tipo extraordinário, foi isso tudo. Mas, para mim, neste momento o que me provoca mais confusão é que eu, que não sou saudosista, dou comigo a ter saudades do tempo em que trabalhei e convivi intensamente – fizemos espectáculos e coisas muito bonitas – com o António Feio. Eu que não sou saudosista, tenho saudades do António Feio” [à Renascença]
“A recordação mais forte que eu tenho do António Feio, com toda a franqueza, não se refere às coisas cómicas, às tretas, a todas essas coisas, mas a momentos incríveis, como ele, muito miúdo, a fazer “O Mar”, de Miguel Torga, e depois, aqui no Teatro de São João, dirigido por mim, a fazer um papel difícil na peça “Noite de Reis”, de Shakespeare” [à Renascença]
"É, pois, muito justo que, neste momento de luto, preste a minha homenagem a um homem de elevadas qualidades humanas e artísticas que lhe granjearam o respeito de todos os que acompanharam o seu percurso pessoal e profissional."
"Ele era um tipo sem mácula, incapaz de criar uma situação mais complicada aos outros. Era um excelente colega, sem necessidade de protagonismo porque ele era um protagonista natural. Apesar da tristeza, temos que tentar dar a volta à situação e pensar que tivemos o privilégio de o conhecer. Tinha um extraordinário sentido de humor e uma capacidade rara de se entusiasmar com as coisas, principalmente neste país tão difícil. Todos nós quisemos acreditar que ele iria mesmo 'matar o bicho', como ele dizia. Infelizmente foi o bicho que o matou, e prematuramente. Tinha ainda muito para fazer." [à Lusa]
Ele também teve tempo para se preparar para isto e com muita força, humor e tranquilidade, acho eu. Esperava estar cá mais tempo. Começou por achar que era uma grande injustiça, como nós continuamos a achar. Vai tanta outra gente, porque é que o António não poderia ficar mais uns anos connosco? Perdemos um grande familiar, um grande amigo e um grande homem de teatro.




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