Julian Assange, o fundador do ‘site’ Wikileaks que divulgou milhares de documentos militares secretos norte-americanos sobre a guerra no Afeganistão, afirmou numa entrevista publicada hoje que não tem “medo de ser detido”.
“Não tenho problemas e não tenho medo de ser detido”, disse Assange ao jornal espanhol El Pais acerca da divulgação daqueles documentos pelo seu ‘site’, no domingo.
O Pentágono criticou fortemente a divulgação dos documentos, afirmando que põe em risco a vida de informadores afegãos e pode prejudicar o trabalho dos serviços de informações no Afeganistão.
O presidente norte-americano, Barack Obama, disse-se “preocupado” com esta fuga de informações, que considerou suscetíveis de “ameaçar pessoas ou operações” no terreno.
“Estávamos preparados para uma reação deste género. Era de esperar que tentassem desviar a atenção do público das suas responsabilidades sobre este assunto”, disse Assange.
O fundador do Wikileaks, antigo pirata informático australiano, reiterou que “a única motivação” da sua organização neste processo é prestar “um serviço público”.
Sobre as informações, Assange indicou que elas são provenientes “do interior do Afeganistão e do Paquistão”.
“Os informadores estão em contacto com as unidades no campo de batalha e com as embaixadas. Há toda uma série de razões para eles passarem informações: primeiro, por dinheiro, segundo, por interesse pessoal, para tirar qualquer benefício, e terceiro, para que a verdade se saiba”, disse.
O Wikileaks divulgou no domingo quase 92 000 documentos militares secretos com informações sobre o apoio do Paquistão à resistência e ataques das forças internacionais contra civis.
Em julho de 2009, Julien Assange teve o seu passaporte temporariamente confiscado pelas autoridades australianas e os seus advogados aconselharam-no a não ir aos Estados Unidos.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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