O presidente afegão, Hamid Karzai, considerou hoje que a divulgação de informações secretas norte-americanas põe em risco a vida de afegãos que cooperaram com as forças internacionais e apelou para a destruição dos “santuários terroristas” no Paquistão.
Cerca de 92 000 documentos militares norte-americanos sobre a guerra no Afeganistão foram divulgados no domingo pelo ‘site’ wikileaks.
Hamid Karzai afirmou hoje à imprensa que a divulgação, nesses documentos, de nomes de afegãos que colaboraram com as tropas estrangeiras no país “é chocante” e “irresponsável” e põe as suas “vidas em risco”.
“É extremamente irresponsável e chocante porque, quer essas pessoas estejam a agir legitimamente ou não ao fornecerem informações às forças da NATO, são vidas. E essas vidas estão agora em risco. É um ato extremamente irresponsável que eu não posso ignorar”, disse.
O jornal britânico The Times noticiou na quarta-feira que uma análise atenta de parte dos documentos divulgados pelo Wikileaks foi suficiente para detetar nomes de dezenas de afegãos que supostamente forneceram informações ao exército norte-americano.
Desses documentos consta um interrogatório pormenorizado a um talibã disposto a abandonar a resistência. No interrogatório é revelado o nome, o do pai e da aldeia e informações sobre comandantes e combatentes talibãs da região, segundo o Times.
Karzai referiu-se também a informações desses documentos segundo as quais os serviços secretos paquistaneses apoiam ativamente os talibãs para apelar às forças internacionais que “reconsiderem as suas políticas” e destruam os “santuários terroristas” no Paquistão.
“Está na altura de os nossos aliados internacionais compreenderem que a guerra contra o terrorismo não se trava nas aldeias e nas casas do Afeganistão. Essa guerra deve ser travada nos santuários, nos centros de financiamento e nas bases de treino de terrorismo fora do Afeganistão”, disse Karzai numa conferência de imprensa em Cabul.
“Nós não temos poder para o fazer mas os nossos aliados internacionais têm. Depois destes documentos espero que reconsiderem as suas políticas”, acrescentou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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